O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, afirmou esta terça-feira que a aprovação do projeto de execução do Eixo Rodoviário Aveiro–Águeda representa um avanço decisivo e irreversível para a concretização de uma infraestrutura há muito reclamada pela região, sublinhando que o processo entrou numa fase em que “já não há retorno possível”.
À saída da reunião extraordinária do executivo municipal, onde o projeto foi aprovado no período antes da ordem do dia, o autarca explicou que este passo só foi possível após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental favorável, elemento que considerou “absolutamente essencial” para uma obra desta dimensão.
“Cada passo que damos é um passo onde nunca estivemos. Depois de aprovado o projeto e emitida a Declaração de Impacte Ambiental, temos finalmente a possibilidade de o aprovar formalmente em reunião de executivo”, afirmou.
Segundo Jorge Almeida, a aprovação do projeto ocorre em simultâneo nos municípios de Águeda e Aveiro, garantindo alinhamento institucional entre os dois concelhos diretamente envolvidos na nova ligação rodoviária. Em paralelo, foi também desencadeado o procedimento para a Declaração de Utilidade Pública, necessária para assegurar a disponibilidade dos terrenos indispensáveis à execução da obra.
“Pedimos concomitantemente a Declaração de Utilidade Pública, que seguirá para os serviços da Assembleia Municipal, para ser votada e aprovada relativamente às parcelas que são necessárias para realizar esta obra”, explicou.
O presidente da autarquia revelou que o projeto foi apresentado de forma sucinta ao executivo, destacando tratar-se de uma infraestrutura em perfil de autoestrada, ligando diretamente Águeda e Aveiro, com um preço base estimado em cerca de 109 milhões de euros, valor que servirá de referência para o lançamento do concurso público.
“É uma obra com um valor estimado de cerca de 109 milhões de euros e será lançada em concurso tão rapidamente quanto nos seja possível, para que se torne uma realidade nos próximos dois a três anos”, referiu.
Questionado sobre o calendário, Jorge Almeida mostrou-se confiante de que o procedimento concursal será lançado já no primeiro trimestre, salientando que o município se encontra bastante adiantado no processo de negociação das expropriações.
“Estamos absolutamente convencidos de que vamos lançar o concurso nos próximos meses, no primeiro trimestre. Em Águeda estamos já bastante avançados nas negociações com os proprietários das parcelas necessárias”, afirmou, reconhecendo que, após o lançamento do concurso, haverá ainda toda a tramitação legal associada à análise e aprovação das propostas.
Ainda assim, o autarca apontou uma calendarização clara para a execução da obra, situando o período de construção entre 2026 e 2028.
“Depois de lançado o procedimento e ultrapassadas as fases legais, a obra deverá decorrer durante 2026, 2027 e 2028. Esta é a nossa calendarização e, neste mandato autárquico, estamos plenamente conscientes de que esta obra será uma realidade”, garantiu.
No que respeita às expropriações, Jorge Almeida assegurou que não existem, até ao momento, dificuldades com os proprietários dos terrenos, destacando o clima de colaboração que tem marcado o processo.
“Não há absolutamente nenhuma dificuldade. Temos vindo a negociar com base nas avaliações feitas pelos peritos do tribunal e temos tido a colaboração dos proprietários. A Declaração de Utilidade Pública é uma salvaguarda para qualquer eventualidade, porque esta obra não pode parar”, frisou.
O presidente da Câmara não escondeu o caráter histórico do atraso na concretização desta ligação rodoviária, classificando-o como difícil de compreender.
“Diria que esta ligação tem cinquenta anos de atraso, se calhar até mais. É uma obra desejada, necessária, e ninguém percebe porque é que chegámos a 2025 ou 2026 e ainda é preciso todo este trabalho para a desenvolver”, afirmou, recordando que a ligação direta entre Águeda e Aveiro é fundamental não apenas para os dois concelhos, mas também para o acesso às autoestradas e para a dinâmica económica da região.
Jorge Almeida destacou ainda o consenso político em torno do projeto, sublinhando que a proposta foi aprovada com o voto favorável de todo o executivo, incluindo a oposição, e que existe alinhamento com o Governo central.
“Estamos todos em sintonia. A oposição votou favoravelmente e o próprio Governo reconhece a importância desta obra. O primeiro-ministro disse publicamente e pessoalmente que este é também um compromisso dele”, afirmou.
Para o autarca, a concretização do Eixo Rodoviário Aveiro–Águeda é decisiva para corrigir constrangimentos graves de mobilidade que afetam diariamente cidadãos, empresas e instituições.
“Não é aceitável continuarmos a demorar mais de uma hora para percorrer cerca de 20 quilómetros. A dinâmica de Águeda e a dinâmica de Aveiro, e a ligação que existe entre estas duas cidades, não permitem que se adie mais esta decisão”, concluiu, reforçando a convicção de que a obra será inaugurada até 2028, pondo fim a décadas de espera por uma ligação rodoviária estruturante para toda a região.
