Orquestra Municipal de Águeda esgota CAA num concerto marcado pela excelência, emoção e afirmação do movimento filarmónico

O Centro de Artes de Águeda recebeu este sábado, 4 de abril, um auditório completamente lotado para o concerto da Orquestra Municipal de Águeda, numa atuação que assinalou o culminar de mais um estágio de orquestra promovido pela União de Bandas de Águeda, em colaboração com a Câmara Municipal.

Ao longo de quatro dias de trabalho intensivo, cerca de 110 jovens músicos, oriundos de seis bandas filarmónicas do concelho e do Conservatório de Música de Águeda, prepararam um repertório exigente, explorando novas técnicas e consolidando competências sob a orientação do maestro Francisco Ferreira. O concerto final revelou-se um momento de elevado nível artístico, com destaque para a interpretação integral da sinfonia “La Passio de Crist”, de Ferrer Ferran, numa escolha alinhada com o período pascal.

Para Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal de Águeda, o espetáculo foi a demonstração clara da qualidade do trabalho desenvolvido no concelho. “Quando conseguimos reunir em palco 110 jovens, de seis bandas e do conservatório, com uma média de idades a rondar os 20 anos, e apresentar um espetáculo com esta qualidade, há uma conclusão definitiva: o que se faz em Águeda na área da música está não só saudável, mas verdadeiramente brilhante”, afirmou.

O autarca destacou ainda o impacto coletivo destas estruturas, sublinhando que “o empenho das associações, o trabalho das escolas de música e o envolvimento das famílias criam um ecossistema único”, acrescentando que “aquilo que ouvimos aqui foi um espetáculo absolutamente digno desta época, mas acima de tudo brilhante pela entrega dos nossos jovens”.

A forte adesão do público, que esgotou completamente a sala numa tarde de sábado, foi também evidenciada como sinal da vitalidade cultural do concelho. “Ter esta casa cheia às cinco da tarde, em plena época da Páscoa, mostra bem a ligação das pessoas às suas bandas. Há aqui identidade, orgulho e pertença. As famílias vêm apoiar, os cidadãos reconhecem o valor e há cada vez mais pessoas a apreciar este movimento filarmónico”, referiu ainda Jorge Almeida, que deixou uma mensagem final de “uma feliz Páscoa a todos os aguedenses”.

Um dos momentos mais simbólicos do concerto foi a homenagem à Banda Marcial de Fermentelos, distinguida por ser a banda filarmónica mais antiga do concelho de Águeda em atividade contínua, sem qualquer interrupção desde a sua fundação em 1868 . Um percurso de mais de século e meio que reflete a consistência e a relevância histórica da instituição.

João Dias, em representação da banda, não escondeu a emoção: “Hoje foi um dia muito especial. Esta homenagem reconhece o trabalho, o empenho e a dedicação de gerações inteiras em prol da cultura e da filarmonia. São quase 160 anos de atividade ininterrupta e isso diz muito sobre aquilo que somos”. O responsável destacou ainda a importância da renovação geracional: “As nossas bandas estão cheias de juventude. Isso significa que a formação está a funcionar, que as escolas de música estão a fazer bem o seu trabalho e que as famílias continuam a apostar na música como caminho para os seus filhos”.

Também o maestro Francisco Ferreira sublinhou a dimensão artística, mas sobretudo pedagógica e social da iniciativa. “Este estágio transmite muita emoção, mas também uma grande responsabilidade de fazer boa música para quem nos ouve. Tivemos um grupo muito heterogéneo, com jovens do ensino básico, secundário e alguns elementos mais experientes, e isso permitiu uma partilha muito rica”, explicou.

O maestro destacou ainda o rigor exigido ao longo do estágio: “Há aqui uma componente disciplinar muito importante. Trabalhar com foco, evitar distrações, perceber o compromisso que a música exige. Tudo isto faz parte do processo formativo”. Para além disso, evidenciou o impacto humano da experiência: “Muitos destes jovens não se conheciam e criaram aqui amizades. Este tipo de estágio tem uma dimensão social muito forte, que vai muito além da música”.

Sobre o concerto, Francisco Ferreira salientou ainda a evolução do repertório e a aposta em novas abordagens: “Hoje conseguimos trazer programas cada vez mais apelativos e exigentes. Houve também uma componente multimédia associada à obra principal, que ajudou o público a compreender melhor a narrativa da ‘Paixão de Cristo’”.

No final, deixou uma mensagem clara aos jovens músicos: “Que continuem focados e que deem o seu contributo às suas bandas filarmónicas. Estamos a falar de associações muitas delas centenárias, que fazem parte do nosso património cultural imaterial e que precisam desta nova geração para garantir o futuro”.

Também entre os músicos, o sentimento era de realização. Depois de dias intensos de ensaios, subir a palco perante um auditório cheio foi vivido com emoção e sentido de responsabilidade. “É um trabalho duro, muito concentrado em poucos dias, mas a sensação de tocar para uma sala cheia compensa tudo. Levamos connosco a música que fizemos e essa é a melhor recordação”, partilharam.

O concerto confirmou, assim, a força do movimento filarmónico em Águeda, num espetáculo que aliou qualidade artística, formação e identidade cultural, reforçando o papel central das bandas na vida da comunidade.

Fotos: Sara Soares (TVC) e Mário Abreu (CAA)

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