“Reencontros” reforçam identidade e mobilizam comunidade com participação acima das expectativas

O Grupo Folclórico da Região do Vouga voltou a reunir a comunidade em torno das suas raízes culturais com a realização de mais uma edição dos “Reencontros”, iniciativa que decorreu este fim de semana na sede da associação e que registou uma adesão significativa, com 210 participantes.

Mais do que um simples convívio, o evento assumiu-se como um momento de partilha intergeracional, onde tradições, memórias e valores foram colocados em evidência. A iniciativa, que já se realiza há vários anos, tem vindo a consolidar-se como uma das principais atividades do grupo, reunindo não só elementos ligados ao folclore, mas também membros da comunidade local e representantes de várias associações da freguesia.

Fernando Jorge Gonçalves, presidente da direção do Grupo Folclórico da Região do Vouga, sublinhou a importância estratégica deste tipo de iniciativas para a missão da coletividade. Segundo o responsável, os “Reencontros” assentam em dois pilares fundamentais: o reforço da identidade cultural e a sustentabilidade da própria associação.

“O nosso primeiro objetivo é reunir a comunidade local, permitindo que as pessoas revivam aquilo que são as suas memórias, os seus valores e a sua identidade. Esse é o verdadeiro propósito deste encontro”, afirmou, acrescentando que, paralelamente, existe também uma componente financeira relevante. “Estes momentos ajudam-nos a criar algum fundo de maneio, o que é essencial para um grupo que vive muito do esforço associativo e da dinâmica que consegue gerar”, explicou.

Apesar da importância da vertente económica, o dirigente fez questão de reforçar que o principal foco está na dimensão cultural e social. Num contexto que considera desafiante, marcado por mudanças rápidas e perda de referências tradicionais, Fernando Jorge Gonçalves alertou para a necessidade de preservar os elementos identitários das comunidades. “No mundo em que vivemos hoje, sentimos que muito disso se está a perder. É fundamental criar momentos que permitam às pessoas reencontrarem-se com aquilo que são”, referiu.

A edição deste ano superou as expectativas iniciais da organização, não só pelo número de participantes, mas também pelo ambiente vivido ao longo do evento. Para o presidente do grupo, a consistência destes números ao longo do tempo é um indicador claro da qualidade do trabalho desenvolvido. “O nosso objetivo é conseguir manter esta adesão de ano para ano. Isso significa que estamos a fazer bem o nosso trabalho e que as pessoas reconhecem valor naquilo que promovemos”, afirmou.

Para além da componente tradicional associada ao folclore — canto e dança —, o Grupo Folclórico da Região do Vouga tem procurado alargar o seu campo de intervenção, assumindo-se também como um agente de dinamização cultural e etnográfica. “Costumo dizer que nós não fazemos só folclore no sentido mais restrito. Também cantamos e dançamos, que é a nossa matriz principal, mas temos de ir mais além. Trabalhamos a etnografia, a representação cultural e criamos eventos que dão espaço à imaginação e à participação da comunidade”, explicou Fernando Jorge Gonçalves.

Essa visão mais abrangente do papel das associações culturais foi também destacada durante o evento, que contou com a presença de Lino André Santos, presidente da União de Freguesias da Trofa, Segadães e Lamas do Vouga. O autarca valorizou o impacto dos “Reencontros” não apenas no plano cultural, mas também na dinâmica associativa local.

“Esta é mais uma das iniciativas que o grupo tem vindo a promover e que hoje apresenta uma moldura humana muito significativa, com um acréscimo de participantes que demonstra o interesse crescente por parte da comunidade”, afirmou. Para o presidente da União de Freguesias, o evento é um exemplo claro de cooperação entre diferentes entidades. “Se olharmos à nossa volta, conseguimos identificar elementos de várias associações da freguesia. Há aqui um entrosamento muito grande, que é de destacar e que fortalece o movimento associativo”, sublinhou.

Lino André Santos aproveitou ainda a ocasião para reafirmar a ambição da União de Freguesias em afirmar o território como uma referência no panorama do folclore. “Mantemos a determinação de nos assumirmos como a capital do folclore. Esse trabalho está a ser desenvolvido e será apresentado em breve. O que vemos aqui hoje é prova da importância que o folclore tem em unir as pessoas da nossa terra”, referiu.

O evento integrou momentos de convívio, animação e partilha, contribuindo para reforçar os laços entre participantes e para valorizar o património cultural imaterial da região. A organização garantiu condições de receção e dinamização que permitiram acolher participantes de diferentes faixas etárias, num ambiente marcado pela proximidade e pelo espírito comunitário.

Com os olhos postos no futuro, o Grupo Folclórico da Região do Vouga pretende dar continuidade aos “Reencontros”, apostando numa lógica de evolução sustentada. “Queremos continuar, ano após ano, aprendendo com aquilo que corre menos bem e melhorando continuamente. Esse é o caminho”, concluiu Fernando Jorge Gonçalves, deixando a garantia de que a iniciativa regressará em próximas edições, com o mesmo compromisso de preservar e dinamizar a identidade cultural da região.

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