A Quercus Aveiro denuncia que tem recebido sucessivas queixas relativas à instalação de novas plantações de eucalipto em áreas consideradas sensíveis do concelho de Águeda, alertando para o aumento do risco de incêndio junto de habitações, linhas de água, estradas e solos com condicionantes territoriais.
Segundo a associação ambientalista, estas situações assumem especial gravidade numa região marcada pelos grandes incêndios dos últimos anos, recordando o recente fogo de Vouzela, que se propagou aos concelhos de Águeda e Oliveira de Frades.
Um dos casos apontados como mais preocupantes envolve um morador que viu a sua habitação ameaçada pelo incêndio de setembro de 2024 e que agora assiste à plantação de eucaliptos no terreno contíguo à sua casa. De acordo com a Quercus, o SEPNA da GNR confirmou que existe uma autorização emitida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito do Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização. Ainda assim, a associação considera existirem dúvidas quanto à compatibilidade dessa autorização com o Plano Diretor Municipal, alegando que a plantação terá sido autorizada em área de Reserva Agrícola Nacional e muito próxima de habitações e linhas de água.
A Quercus manifesta igualmente preocupação com a presença de eucaliptos ao longo de estradas municipais, caminhos de acesso às aldeias e vias secundárias, considerando que, em caso de incêndio, estas zonas podem transformar-se em corredores de propagação das chamas, dificultando o acesso dos bombeiros e comprometendo a evacuação das populações.
A associação recorda ainda a tragédia da EN236-1, em Pedrógão Grande, defendendo que Portugal conhece bem os riscos associados à existência de vegetação altamente inflamável junto às vias de circulação.
Promessas após os incêndios de 2024
No comunicado, a Quercus refere que, após os incêndios de setembro de 2024, a Câmara Municipal de Águeda anunciou um conjunto de medidas destinadas a proteger as zonas habitacionais, incluindo o apoio ao arranque de touças de eucalipto junto das aldeias e a disponibilização de espécies autóctones para reflorestação.
Contudo, a associação afirma que, segundo moradores e a ADPLP – Associação de Desenvolvimento e Proteção Local das Póvoas, muitos desses trabalhos continuam por concluir, existindo ainda cepos por remover, madeira acumulada junto às localidades e áreas onde a plantação de árvores autóctones ficou comprometida por falta de execução das intervenções previstas.
Apesar disso, destaca o trabalho desenvolvido pela ADPLP, com o apoio da Quercus e do projeto Floresta Comum, que já permitiu iniciar a plantação de milhares de árvores autóctones, entre as quais carvalho-alvarinho, medronheiro, azevinho, freixo, bétula e castanheiro.
Exigências da Quercus
Perante as denúncias recebidas, a Quercus exige:
- A reapreciação urgente das autorizações para novas plantações de eucalipto em áreas sensíveis;
- A fiscalização das plantações existentes, verificando o cumprimento das distâncias legais, das faixas de gestão de combustível e das condicionantes territoriais;
- A suspensão ou reversão das plantações que agravem o risco para pessoas, habitações e infraestruturas;
- O cumprimento das medidas anunciadas após os incêndios de 2024, nomeadamente a remoção de touças e material lenhoso e o apoio à plantação de espécies autóctones;
- A criação de programas de apoio à substituição de eucaliptais por espécies autóctones e sistemas agroflorestais mais resilientes;
- A responsabilização das entidades públicas e privadas que promovam ou autorizem modelos de ocupação do território considerados potenciadores do risco de incêndio.
Para a Quercus, a proteção das populações deve prevalecer sobre a expansão de modelos florestais que considera altamente inflamáveis, defendendo uma gestão do território que privilegie a biodiversidade, a segurança e a resiliência das aldeias perante futuros incêndios.
