Associação participou no ECI Summit, debateu com a Comissão Europeia o futuro da indústria das duas rodas e apresentou a Portugal Bike Value no Bike Demo Day, numa demonstração da capacidade produtiva e tecnológica nacional.
A indústria portuguesa das duas rodas voltou a estar representada no centro das decisões europeias. A ABIMOTA – Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins participou no ECI Summit, em Bruxelas, num encontro que reuniu representantes da indústria, instituições europeias e responsáveis ligados às políticas de mobilidade e transportes.
A presença da associação portuguesa assumiu particular relevância pela participação direta em diferentes momentos do programa, desde o diálogo com a Comissão Europeia até à discussão sobre política energética e transportes, passando pela apresentação da bicicleta Portugal Bike Value, construída exclusivamente com componentes produzidos por associados da ABIMOTA.
A delegação foi constituída pelo secretário-geral da ABIMOTA, David Macário, por Pedro Araújo, membro da Direção da associação e do Board da European Cycling Industries (ECI), e por Eduardo Bianchi, membro da Direção da ABIMOTA.
A participação no encontro permitiu à associação colocar a indústria portuguesa das duas rodas num espaço de discussão onde estão em análise alguns dos principais desafios que o setor enfrenta na Europa, nomeadamente ao nível da competitividade, capacidade industrial, inovação, sustentabilidade e enquadramento das futuras políticas públicas.
Um dos momentos de maior importância foi a participação numa mesa-redonda dedicada ao fomento e à competitividade da indústria europeia das duas rodas, proporcionando um diálogo direto com a Comissão Europeia.
Neste encontro foram abordadas matérias relacionadas com o desenvolvimento do setor e com a necessidade de criar condições que permitam à indústria europeia reforçar a sua capacidade produtiva e competitividade.
Para Portugal, onde existe uma importante concentração de empresas ligadas à produção de bicicletas, componentes e equipamentos para o setor, a participação nestes fóruns europeus assume também uma dimensão estratégica, permitindo acompanhar de perto as políticas que poderão influenciar o futuro da indústria.
Mobilidade e resiliência energética em debate
A ABIMOTA esteve igualmente representada no segundo painel do ECI Summit, subordinado ao tema “Strengthening Europe’s Energy Resilience Through Transport Policy” – reforçar a resiliência energética da Europa através da política de transportes.
O debate colocou a mobilidade no centro da discussão sobre os desafios energéticos europeus e destacou o papel que soluções de transporte mais eficientes podem desempenhar na construção de um modelo de mobilidade mais sustentável.
A bicicleta e a chamada mobilidade suave surgem neste contexto como parte das soluções disponíveis para reduzir a dependência energética associada aos transportes, sobretudo nas deslocações urbanas e de curta distância.
A presença portuguesa neste painel permitiu, desta forma, associar a capacidade industrial instalada no país a um debate mais amplo sobre o futuro da mobilidade europeia.
Portugal Bike Value mostrou capacidade da indústria nacional
A vertente industrial e tecnológica ganhou expressão no Bike Demo Day, onde a ABIMOTA apresentou a bicicleta Portugal Bike Value.
Mais do que a apresentação de um novo modelo, o projeto pretende funcionar como uma montra da capacidade da indústria portuguesa das duas rodas.
A particularidade da Portugal Bike Value está precisamente na sua origem: a bicicleta foi desenvolvida exclusivamente com componentes fabricados por empresas associadas da ABIMOTA, procurando demonstrar até que ponto a cadeia de valor existente em Portugal consegue contribuir para a construção de um produto completo.
A montagem e os testes ficaram a cargo do Bikinnov, entidade especializada na área das duas rodas, tendo a bicicleta sido submetida aos procedimentos destinados a assegurar o cumprimento das exigências de segurança e fiabilidade.
A apresentação em Bruxelas permitiu colocar este exemplo da indústria nacional perante responsáveis europeus e representantes do setor, proporcionando também a possibilidade de experimentar a bicicleta.
Entre as personalidades que testaram a Portugal Bike Value esteve o eurodeputado português João Cotrim de Figueiredo.
O momento foi acompanhado pelos representantes da ABIMOTA David Macário, Pedro Araújo e Eduardo Bianchi, constituindo igualmente uma oportunidade para dar visibilidade, em Bruxelas, à tecnologia, aos componentes e ao conhecimento industrial desenvolvido em Portugal.
Uma cadeia de valor portuguesa apresentada à Europa
A Portugal Bike Value assume especial significado por procurar representar não apenas uma bicicleta, mas uma cadeia industrial.
Por detrás do produto final estão fabricantes de componentes e empresas especializadas que fazem parte do tecido empresarial ligado às duas rodas e que encontram neste projeto uma forma conjunta de demonstrar a capacidade existente no país.
É precisamente essa dimensão que a ABIMOTA pretende projetar internacionalmente: Portugal não apenas enquanto território onde se montam bicicletas, mas enquanto país com empresas capazes de desenvolver e produzir diferentes componentes, incorporar tecnologia, realizar testes e contribuir para produtos destinados a um mercado internacional cada vez mais exigente.
A presença no ECI Summit representou, por isso, uma oportunidade para conjugar duas vertentes consideradas essenciais para o futuro do setor: por um lado, participar junto das instituições europeias no debate sobre as políticas que irão enquadrar a indústria e a mobilidade; por outro, demonstrar, através de um produto concreto, aquilo que as empresas portuguesas são capazes de desenvolver e produzir.
Com a Portugal Bike Value em exposição e a participação direta nos debates do ECI Summit, a ABIMOTA procurou reforçar a visibilidade da indústria nacional num dos principais palcos europeus do setor.
Bruxelas tornou-se, durante o encontro, não apenas um espaço de discussão sobre o futuro da bicicleta na Europa, mas também uma montra para uma indústria portuguesa que procura afirmar a sua capacidade produtiva, tecnológica e de inovação além-fronteiras.
