Águeda distinguiu os melhores alunos do concelho e lançou um apelo a uma geração preparada para liderar com conhecimento, humildade e humanidade

Cerimónia dos Prémios Escolares do Município reuniu autarcas, escolas, famílias e estudantes numa homenagem ao mérito académico, mas também aos valores humanos, à cidadania e ao papel transformador da educação. Ao longo de quase duas horas, sucederam-se mensagens sobre liderança, solidariedade, inteligência artificial, saúde mental e o futuro da sociedade.

O Salão Nobre dos Paços do Concelho encheu-se, esta quarta-feira, de jovens, famílias, professores e representantes das instituições de ensino para mais uma edição da Sessão Solene de Atribuição dos Prémios Escolares do Município de Águeda, referente ao ano letivo 2024/2025.

Mais do que uma cerimónia de entrega de distinções académicas, o momento transformou-se numa verdadeira celebração da educação, do mérito, da perseverança e dos valores humanos, reunindo numa mesma sala aqueles que diariamente contribuem para a formação das novas gerações.

Ao longo de quase duas horas, sucederam-se testemunhos emocionantes, reflexões sobre os desafios atuais da escola, preocupações relativamente ao impacto das novas tecnologias, mensagens de esperança para o futuro e vários apelos à construção de uma sociedade mais humana, solidária e preparada para responder às exigências de um mundo em constante mudança.

A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, do vice-presidente Edson Santos, da vereadora da Educação, Marlene Gaio, dos vereadores Vasco Oliveira e Carlos Filipe, do presidente da Assembleia Municipal, Filipe Almeida, bem como dos responsáveis pelos Agrupamentos de Escolas de Águeda Sul e de Valongo do Vouga, Escola Secundária Adolfo Portela, Instituto Duarte de Lemos, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) e Centro de Formação Profissional de Águeda do IEFP.

Os momentos musicais proporcionados pelos alunos da Escola de Música da Banda Alvarense deram ainda maior solenidade a uma cerimónia marcada por sucessivos aplausos dirigidos aos jovens distinguidos.

“Reconhecer os melhores é reconhecer o futuro”

Na sessão de abertura, a apresentadora recordou que os prémios escolares pretendem reconhecer muito mais do que classificações académicas.

“Hoje reunimo-nos para reconhecer percursos de vida, esforço diário de superação e a construção do futuro através da educação”, afirmou, sublinhando que cada um dos alunos homenageados representa dedicação, persistência e o trabalho conjunto das famílias, professores e escolas.

A ideia seria depois desenvolvida pelo presidente da Câmara Municipal de Águeda.

Jorge Almeida: “Ninguém é grande coisa sozinho”

Visivelmente satisfeito por voltar a distinguir os melhores alunos do concelho, Jorge Almeida começou por justificar que teria de abandonar a cerimónia antes do seu final devido a uma reunião da Associação de Municípios do Carvoeiro, mas fez questão de deixar uma das intervenções mais marcantes da tarde.

Para o autarca, não deve existir qualquer receio em reconhecer publicamente quem alcança a excelência.

“Nunca devemos ter qualquer tipo de complexos em premiar e realçar os melhores”, afirmou, considerando que estes momentos constituem um incentivo para toda a comunidade educativa e uma forma de mostrar que a dedicação, o esforço e o trabalho continuam a valer a pena.

Contudo, rapidamente fez questão de sublinhar que o verdadeiro sucesso nunca é uma conquista individual.

“Mesmo o melhor aluno, o melhor profissional ou o melhor em qualquer área está inserido num ecossistema. Ninguém é grande coisa sozinho.”

Segundo Jorge Almeida, todas as pessoas fazem parte de uma comunidade onde cada elemento desempenha um papel importante, independentemente do lugar que ocupa.

“O outro, aquele que está ao nosso lado, pode não ser tão bom numa determinada área, mas será certamente melhor noutras. Tem de ser respeitado, valorizado e apoiado.”

O mérito também pertence aos que enfrentam maiores dificuldades

Num dos momentos mais aplaudidos da intervenção, Jorge Almeida fez questão de recordar os alunos que não receberam qualquer distinção.

O presidente da Câmara defendeu que existem estudantes que, apesar de não atingirem classificações tão elevadas, fazem diariamente um esforço ainda maior para superar dificuldades pessoais, familiares ou académicas.

“Há alunos que, para conseguirem chegar onde chegam, fazem muito mais esforço, mais dedicação e mais empenho do que alguns dos melhores.”

Por isso, deixou uma reflexão que acabaria por marcar toda a cerimónia.

“O importante não é sermos os melhores de todos. Temos de ser melhores com os outros e para os outros.”

Para Jorge Almeida, é precisamente essa capacidade de colocar o talento ao serviço da comunidade que distingue os verdadeiros líderes.

Uma geração chamada a liderar

Dirigindo-se diretamente aos jovens distinguidos, o autarca afirmou ver neles futuros líderes nas mais diversas áreas profissionais.

No entanto, advertiu que liderar nunca poderá significar deixar alguém para trás.

“Penso que vocês têm todas as condições para liderar, mas ser líder é exatamente isto: fazer com que todos contem.”

Ao longo da intervenção, insistiu várias vezes na ideia de inclusão, defendendo que uma sociedade apenas evolui quando é capaz de integrar todos, independentemente das diferenças.

A mensagem foi reforçada através de uma referência a Mahatma Gandhi, cuja máxima Jorge Almeida disse procurar aplicar na sua própria vida.

“Se cada um de nós fizer sempre o melhor que lhe é possível, o mundo será o melhor que pode ser.”

Para o presidente da Câmara, a melhoria coletiva resulta precisamente da soma do melhor contributo de cada cidadão, independentemente da sua condição ou capacidade.

“Vocês são a esperança de Águeda”

Antes de terminar, Jorge Almeida deixou uma mensagem particularmente dirigida aos jovens distinguidos.

Depois de agradecer às famílias e à comunidade educativa pelo trabalho desenvolvido ao longo do percurso escolar dos alunos, afirmou que cada um deles representa também a esperança do concelho.

“Vocês são a esperança do mundo. E porque são de Águeda, são também a esperança de Águeda.”

Terminou desejando que estes estudantes continuem a iluminar o caminho das futuras gerações.

“Nós gostamos muito de olhar para vocês e ver-vos como autênticas candeias, como verdadeiros faróis capazes de iluminar o mundo e mostrar o caminho aos outros.”

As palavras do presidente da Câmara foram recebidas com uma prolongada salva de palmas e acabariam por servir de fio condutor para praticamente todas as intervenções que se seguiram ao longo da cerimónia.

As escolas alertam para os desafios de uma sociedade em mudança

Depois da intervenção de Jorge Almeida, a cerimónia prosseguiu com a entrega dos primeiros prémios aos alunos do Agrupamento de Escolas de Águeda Sul, momento que ficou igualmente marcado pelos testemunhos dos estudantes distinguidos e pelas reflexões dos responsáveis das instituições de ensino.

Ao longo da tarde, foi-se tornando evidente um denominador comum entre todos os intervenientes: a preocupação com o futuro da educação, com a crescente pressão sobre os jovens e com a necessidade de a escola continuar a assumir-se como um espaço de formação integral, onde o conhecimento académico caminha lado a lado com os valores humanos.

Agrupamento de Escolas de Águeda Sul: excelência construída com compromisso e superação

Os primeiros alunos distinguidos pertenciam ao Agrupamento de Escolas de Águeda Sul.

Guilherme Silva Cristo, da Escola Básica de Aguada de Cima, foi apresentado como um exemplo de compromisso, aliando elevados resultados escolares a uma forte participação na vida da escola.

Vasco Alexandre Fernandes Timóteo, da Escola Básica Professor Artur Nunes Vidal, foi distinguido pela sua superação, conciliando o sucesso académico com a prática desportiva.

Seguiu-se Mateus Wu, da Escola Secundária Marques de Castilho, cuja curiosidade científica e participação em projetos de investigação foram destacadas pela comunidade educativa.

A fechar este grupo surgiu Rita Gomes Belo de Carvalho, finalista da Marques de Castilho, apresentada como um exemplo de excelência, fruto de um percurso académico de elevado nível e do envolvimento em projetos científicos de referência nacional.

“Nenhuma conquista acontece sozinha”

Chamado a falar em nome dos alunos distinguidos, Vasco Timóteo deixou um dos testemunhos mais emotivos da tarde.

Recordando o seu percurso escolar, afirmou que aquele reconhecimento nunca poderia ser visto como uma conquista individual.

“Hoje é um dia de grande alegria, mas também de profunda gratidão.”

O estudante agradeceu aos pais pelo apoio incondicional, aos professores pela dedicação e aos colegas que se transformaram em amigos para a vida, concluindo que “o esforço vale sempre a pena” quando é acompanhado de dedicação, foco e resiliência.

Já Mateus Wu resumiu a sua intervenção numa mensagem simples, mas muito aplaudida:

“No básico e no secundário o mais importante é trabalhar, ter esforço e resiliência. Como diz o provérbio, alcança quem não cansa.”

Francisco Vitorino alerta para a desumanização da sociedade

Seguiu-se a intervenção do diretor do Agrupamento de Escolas de Águeda Sul, Francisco Vitorino, que aproveitou o momento para deixar uma profunda reflexão sobre os desafios atuais da escola.

Na sua opinião, a sociedade atravessa um período particularmente difícil.

“Vivemos tempos de grande desumanização.”

Segundo o responsável, a escola é hoje o reflexo de uma sociedade marcada por discursos de ódio, perda de valores, falta de solidariedade e situações de bullying que chegam diariamente às salas de aula.

Apesar desse contexto, acredita que a educação continua a desempenhar um papel absolutamente essencial.

“A escola continua a ser o espaço ideal para criar laços entre as pessoas, desenvolver valores, promover solidariedade, humanismo e afeto.”

Recorrendo a uma frase do Papa Francisco, recordou que “só é admissível olhar alguém de cima para baixo para o ajudar a levantar”, defendendo que esse deve continuar a ser um dos princípios fundamentais da educação.

Francisco Vitorino deixou ainda um misto de esperança e preocupação.

Esperança porque acredita na capacidade transformadora da escola.

Preocupação porque considera que o atual contexto social exige um esforço cada vez maior de toda a comunidade educativa para contrariar fenómenos de exclusão, violência e intolerância.

“Os alunos hoje distinguidos são exemplos daquilo que queremos construir para o futuro.”

Valongo do Vouga destaca dedicação e responsabilidade

O Agrupamento de Escolas de Valongo do Vouga distinguiu Duarte Filipe Sousa Braga.

O seu percurso foi resumido numa palavra: dedicação.

Segundo a escola, trata-se de um aluno que construiu o seu sucesso através do empenho, da responsabilidade e de um compromisso permanente com a aprendizagem.

A subdiretora Gorete Silva fez questão de recordar que nenhuma boa classificação surge por acaso.

“Nada vem sem trabalho.”

Dirigindo-se ao jovem homenageado, destacou o orgulho que toda a comunidade escolar sente pelo percurso realizado desde os primeiros anos de escolaridade, agradecendo igualmente o papel desempenhado pela família.

“É preciso acreditar neles, incentivá-los, ensinar-lhes a persistir e nunca desistir.”

Para a responsável, são precisamente estes valores que permitem construir percursos académicos sólidos e preparar cidadãos capazes de enfrentar os desafios do futuro.

Adolfo Portela distingue mérito e consistência

A Escola Secundária Adolfo Portela distinguiu dois alunos.

Simão Gomes de Almeida recebeu o prémio relativo ao 3.º ciclo, sendo apresentado como exemplo de consistência, graças ao seu desempenho académico e comportamento exemplar.

Bianca Filipe Estima de Almeida foi distinguida pelo percurso realizado no ensino secundário, marcado pelo mérito, pela atitude solidária e pelos excelentes resultados escolares.

Nos seus testemunhos, ambos voltaram a colocar o foco na importância das famílias e dos professores.

Simão Gomes agradeceu a todos aqueles que o acompanharam ao longo do percurso escolar e deixou um apelo simples aos colegas:

“Deem sempre o vosso melhor e lutem até ao fim.”

Já Bianca Almeida protagonizou um dos discursos mais marcantes da cerimónia.

Atualmente estudante de Medicina, recordou que três anos antes tinha recebido naquele mesmo palco o prémio referente ao 9.º ano e confessou nunca imaginar que regressaria agora para ser novamente distinguida.

Falando sobre sucesso, explicou que este assume significados diferentes para cada pessoa.

“O sucesso é relativo. O que é sucesso para mim pode não ser para outra pessoa.”

A futura médica explicou que o percurso académico exige trabalho, consistência e muitas horas de dedicação, mas deixou sobretudo uma mensagem dirigida à saúde mental dos jovens.

“Vivemos numa época em que a pressão e as expectativas provocam cada vez mais problemas psicológicos.”

Por isso, apelou aos estudantes para colocarem o seu bem-estar em primeiro lugar.

“Cuidem de vocês. Não vivam para cumprir as expectativas dos outros. Lutem pelos vossos próprios objetivos.”

Terminou agradecendo ao Município de Águeda por promover uma iniciativa que valoriza publicamente a educação.

“A educação é das coisas mais bonitas que temos. Dá-nos asas e abre-nos os olhos para o mundo.”

Instituto Duarte de Lemos: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”

A cerimónia prosseguiu com a distinção dos alunos do Instituto Duarte de Lemos, voltando a colocar em evidência não apenas os resultados académicos, mas sobretudo o caráter, a cidadania e a forma como cada estudante contribui para a comunidade escolar.

Constança dos Santos Moreira Lage de Almeida foi distinguida no 3.º ciclo. A escola resumiu o seu percurso numa palavra: humanidade. Para além dos excelentes resultados escolares, destacou-se pela forma respeitadora, humilde e positiva como sempre se relacionou com colegas, professores e funcionários.

No ensino secundário, o reconhecimento foi atribuído a Guilherme Nogueira dos Santos Silva Matos, apresentado como um exemplo de inovação, graças a um percurso que alia excelência académica, ciência, cidadania e inovação, tornando-se uma referência dentro da comunidade educativa.

“Nada disto seria possível sem quem caminhou ao meu lado”

Coube a Constança representar os alunos distinguidos do Instituto Duarte de Lemos.

Num discurso simples, mas sentido, começou por confessar que aquele era um dia muito especial.

“Receber esta distinção é uma enorme honra.”

A jovem agradeceu à Câmara Municipal de Águeda pela criação destes prémios, considerando que representam um verdadeiro reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos estudantes.

Dirigiu depois palavras de agradecimento aos professores, pela dedicação e exigência demonstradas ao longo do percurso escolar, aos colegas, pelos momentos vividos diariamente, e ao diretor pedagógico, pela liderança e pelos conselhos que sempre recebeu.

Mas o momento mais emotivo surgiu quando falou da família.

Agradeceu o apoio constante de todos os familiares, deixando uma referência muito especial à mãe.

“Obrigada por estares sempre ao meu lado, por acreditares em mim e por me ensinares a enfrentar os desafios com coragem e determinação.”

Confessou mesmo que, sem a voz permanente da mãe a incentivá-la a esforçar-se cada vez mais, dificilmente estaria naquele palco a receber aquela distinção.

A intervenção terminou sob uma forte salva de palmas.

António Pinho: “A escola é muito melhor do que muitas vezes se diz”

Na intervenção seguinte, o diretor pedagógico do Instituto Duarte de Lemos, António Pinho, aproveitou a ocasião para contrariar a imagem frequentemente negativa que é transmitida sobre a escola.

Recorrendo ao conhecido provérbio africano de que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, afirmou que a cerimónia simbolizava precisamente esse trabalho coletivo entre famílias, professores, instituições e comunidade.

Segundo o responsável, o sucesso dos alunos é também o sucesso das escolas.

“Todos contribuímos para aquilo que hoje aqui celebramos.”

António Pinho lamentou que, muitas vezes, apenas sejam divulgados os problemas existentes no sistema educativo, deixando para segundo plano milhares de exemplos positivos que diariamente acontecem dentro das escolas.

“A educação vive muitas vezes envolta numa nuvem negra, mas isso representa apenas uma pequena parte da realidade.”

Recordou que vários dos alunos distinguidos já iniciaram percursos universitários de sucesso, demonstrando a qualidade da formação recebida no concelho.

O diretor destacou igualmente a intervenção da estudante Bianca Almeida, considerando particularmente importante o alerta que deixou relativamente à crescente pressão psicológica sentida pelos jovens.

Na sua opinião, reconhecer publicamente o mérito constitui também uma forma de recompensar esse esforço.

“Temos de saber olhar para o lado positivo das coisas e celebrar aquilo que corre bem.”

Terminou felicitando todas as escolas, as famílias e o Município de Águeda pela continuidade desta iniciativa, que classificou como um verdadeiro momento de celebração da educação.

ESTGA: a Inteligência Artificial obriga a colocar novamente o ser humano no centro

A cerimónia prosseguiu com a distinção do ensino superior.

O aluno Gonçalo José de Almeida Dias, licenciado em Tecnologias da Informação pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, recebeu o prémio referente ao ensino universitário.

A instituição apresentou-o como um exemplo de rigor, destacando a dedicação, autonomia e compromisso demonstrados ao longo de todo o percurso académico.

Na sua intervenção, a vice-diretora da ESTGA, professora doutora Sónia Estrela, trouxe para a cerimónia um tema particularmente atual: o impacto da Inteligência Artificial na educação.

Segundo explicou, o rápido desenvolvimento destas tecnologias obriga escolas e universidades a repensar os modelos de ensino.

“No centro de toda esta transformação tem de continuar a estar a pessoa.”

Referindo o conceito de Educação 5.0, defendeu que o verdadeiro desafio passa por voltar a colocar o ser humano no centro dos processos de aprendizagem.

Para Sónia Estrela, formar excelentes profissionais já não é suficiente.

“Mais importante do que sermos bons profissionais é sermos boas pessoas.”

Na sua perspetiva, a sociedade necessita de cidadãos capazes de compreender os outros, de agir com responsabilidade social e de colocar o conhecimento ao serviço da comunidade.

Dirigindo-se ao aluno distinguido, manifestou ainda o orgulho da ESTGA pelo percurso desenvolvido.

Recordou que a escola nasceu há quase três décadas precisamente para responder às necessidades da região e afirmou acreditar que Gonçalo Dias será um excelente embaixador da instituição e do próprio concelho de Águeda.

IEFP: “O saber fazer não chega sem o saber ser”

O último momento de entrega de prémios foi dedicado ao Centro de Formação Profissional de Águeda.

Foram distinguidos Dimitri Zivitza, do curso técnico de Maquinação e Programação CNC, cuja palavra de referência foi excelência técnica, reconhecida inclusivamente a nível nacional e europeu, e Diana Sofia Cerqueira Marques, do curso Técnico de Marketing, apresentada como um exemplo de determinação, graças à forma como transformou a formação em novas oportunidades profissionais.

Nos breves testemunhos que deixaram, ambos agradeceram o apoio recebido ao longo do percurso.

Dimitri resumiu a sua intervenção numa frase que arrancou aplausos da plateia.

“Estudar ainda vale a pena.”

Já Diana agradeceu aos formadores, à família, ao companheiro e à empresa onde realizou estágio e onde continua atualmente a trabalhar, considerando que aquele reconhecimento representa um novo ponto de partida para o futuro.

Seguiu-se a intervenção do diretor do Centro de Formação Profissional de Águeda, José António Gomes.

Com alguma boa disposição, começou por afirmar que poderia simplesmente dizer que concordava com todos os intervenientes anteriores.

Mas rapidamente aproveitou para reforçar uma mensagem que atravessou toda a cerimónia.

“O mérito deve ser valorizado sem qualquer receio.”

Na sua perspetiva, os jovens distinguidos representam exemplos daquilo que a sociedade precisa.

Recordou ainda que o IEFP procura formar profissionais tecnicamente competentes, mas também cidadãos responsáveis.

“Valorizamos o saber fazer, mas também o saber estar e o saber ser.”

Para José António Gomes, ética, responsabilidade e valores humanos continuarão sempre a ser fatores determinantes para o sucesso profissional e pessoal.

“O mais importante continua a ser sermos pessoas de bem.”

Marlene Gaio: “Não premiamos apenas notas, premiamos cidadãos”

Após a entrega de todos os prémios e um novo momento musical protagonizado pelos alunos da Escola de Música da Banda Alvarense, a vereadora da Educação, Marlene Gaio, encerrou praticamente a componente institucional da cerimónia com uma intervenção onde reforçou a filosofia que sustenta estes prémios escolares.

Começou por afirmar que o Município de Águeda olha para os jovens como um dos maiores patrimónios do concelho.

“São eles que transportam o talento, a criatividade, a capacidade de inovação e a vontade de transformar a realidade.”

Para a autarca, investir na educação significa investir diretamente no futuro da comunidade, na competitividade do território, na coesão social e na preparação das novas gerações para responderem aos desafios que as esperam.

Ao longo da intervenção, Marlene Gaio fez questão de sublinhar que a educação não pode ser reduzida a classificações.

“Vivemos numa sociedade onde muitas vezes apenas se olha para os resultados finais, para as notas e para as classificações. Mas a educação é muito mais do que isso.”

Na sua perspetiva, cada um dos alunos distinguidos possui uma história diferente.

Histórias de persistência.

Histórias de disciplina.

Histórias de superação.

Histórias de jovens que enfrentaram dificuldades, ultrapassaram obstáculos e nunca desistiram dos seus objetivos.

Foi precisamente por isso que explicou que os Prémios Escolares do Município de Águeda possuem critérios que vão muito além do aproveitamento escolar.

“A distinção resulta da classificação final, mas também da avaliação das competências sociais, dos comportamentos exemplares e das ações meritórias desenvolvidas em favor da escola e da comunidade.”

Segundo a vereadora, esta opção traduz uma visão muito clara daquilo que deve ser a missão da educação.

“Formar bons alunos é importante. Formar bons cidadãos é ainda mais importante.”

Essa ideia acabaria por resumir toda a filosofia da iniciativa promovida pelo Município.

Para Marlene Gaio, o reconhecimento atribuído aos estudantes representa simultaneamente um motivo de orgulho e uma responsabilidade acrescida.

“Hoje passam a ser exemplos para muitos outros jovens.”

Dirigindo-se diretamente aos alunos distinguidos, apelou para que nunca deixassem de ser curiosos, humildes, resilientes e inconformados perante os desafios.

“Pensem sempre em crescer, mas nunca deixem de olhar para o outro.”

Terminou deixando uma mensagem de esperança.

“O Município de Águeda acredita profundamente em cada um de vós e acredita que o verdadeiro mérito não se mede apenas pelo sucesso individual, mas também pela capacidade de fazer a diferença na vida dos outros.”

As palavras da vereadora sintetizaram praticamente todas as mensagens transmitidas ao longo da tarde, voltando a colocar a cidadania e os valores humanos ao mesmo nível da excelência académica.

Filipe Almeida: “Este dia ficará para sempre na memória de todos”

A última intervenção pertenceu ao presidente da Assembleia Municipal de Águeda, Filipe Almeida, que encerrou oficialmente a cerimónia.

Começou por dirigir uma saudação especial aos jovens distinguidos, assumindo que eram eles os verdadeiros protagonistas daquele momento.

Para o responsável, chegar àquele palco representa muito mais do que receber um prémio.

“É o reconhecimento de muito trabalho, muito empenho, muita dedicação e de muitas escolhas feitas ao longo da vida.”

Recordou que o percurso académico exige frequentemente renúncias, horas de estudo e sacrifícios pessoais que nem sempre são visíveis para quem observa apenas os resultados finais.

Mas fez igualmente questão de lembrar que a formação de um jovem vai muito além da dimensão académica.

“Importa formar homens e mulheres, amigos, filhos, futuros pais e futuros avós.”

Segundo Filipe Almeida, aquilo que verdadeiramente permanece na vida de cada pessoa é o legado que deixa na sociedade.

“A marca que deixamos é aquilo que falará de nós no futuro.”

Dirigindo-se novamente aos alunos, mostrou-se particularmente impressionado com a maturidade demonstrada nos vários testemunhos apresentados durante a cerimónia.

“As vossas intervenções revelaram uma enorme maturidade para a idade que têm.”

Agradeceu igualmente às famílias, lembrando que nenhum sucesso se constrói isoladamente.

Pais, irmãos, avós, amigos e professores são, na sua opinião, os verdadeiros pilares sobre os quais assenta o percurso de qualquer estudante.

O presidente da Assembleia Municipal fez também questão de reconhecer o trabalho desenvolvido pelas escolas e pelos centros de formação, considerando que o sucesso hoje celebrado constitui igualmente um reconhecimento do trabalho realizado pelos professores e restantes profissionais da educação.

Uma homenagem que deve continuar

Na reta final da intervenção, Filipe Almeida dirigiu palavras de reconhecimento ao Município de Águeda pela continuidade desta iniciativa.

Na sua opinião, estes momentos têm um enorme significado para os jovens e para toda a comunidade.

“Devemos continuar a reconhecer quem se empenha e quem trabalha.”

Admitiu mesmo que gostaria de ver esta homenagem realizada imediatamente após o final do ano letivo, embora reconheça as dificuldades práticas de organização.

Ainda assim, considerou que esta é uma iniciativa que merece continuidade e que já conquistou um lugar importante na vida do concelho.

Antes de terminar, partilhou um momento pessoal que surpreendeu muitos dos presentes.

Confessou que, precisamente na véspera da cerimónia, um dos seus filhos tinha concluído a licenciatura.

“Também eu senti esse orgulho.”

Foi uma forma de aproximar a experiência institucional da realidade vivida por muitas das famílias presentes na sala, reforçando a emoção do momento.

Terminou deixando uma última mensagem dirigida aos jovens.

“Continuem empenhados, continuem dedicados e nunca se esqueçam da nossa cidade. Nunca se esqueçam que são aguedenses e tenham sempre orgulho nisso.”

A intervenção foi recebida com uma longa salva de palmas, encerrando uma cerimónia que homenageou não apenas os melhores alunos do concelho, mas toda uma comunidade educativa.

Muito mais do que uma entrega de prémios

Ao longo de quase duas horas, a Sessão Solene de Atribuição dos Prémios Escolares do Município de Águeda transformou-se numa reflexão coletiva sobre o presente e o futuro da educação.

Falou-se de mérito, mas também de inclusão.

Falou-se de excelência, mas igualmente de solidariedade.

Falou-se de Inteligência Artificial, de saúde mental, de cidadania, de ética e de responsabilidade.

Num tempo em que a escola enfrenta desafios cada vez mais complexos, desde a rápida evolução tecnológica à crescente pressão psicológica sobre os jovens, a cerimónia deixou uma mensagem comum a todos os intervenientes: o conhecimento continua a ser essencial, mas só faz verdadeiramente sentido quando acompanhado pela humildade, pelo respeito, pela capacidade de servir os outros e pelo compromisso com a comunidade.

Foi precisamente essa visão que marcou toda a tarde.

Mais do que distinguir os melhores alunos do ano letivo 2024/2025, Águeda celebrou uma geração que é chamada a liderar, não apenas pelo talento que demonstra, mas sobretudo pelos valores que representa.

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