Águeda voltou este sábado a afirmar-se como uma das grandes cidades do ciclismo nacional ao receber a chegada da quarta etapa da 6.ª Volta a Portugal Feminina, uma jornada de 84,5 quilómetros que terminou junto à Escola Secundária Adolfo Portela e que ficou marcada pelas elevadas temperaturas, pelas dificuldades provocadas pelos incêndios que afetam a região e pelo elevado nível competitivo do pelotão internacional. Apesar das alterações introduzidas no percurso devido à proximidade dos fogos e à intensa concentração de fumo em algumas zonas, a organização conseguiu garantir a realização da etapa em condições de segurança, proporcionando ao muito público presente um espetáculo desportivo de grande qualidade. No final, foi a alemã Linda Riedmann a cortar a meta em primeiro lugar, conquistando a vitória numa das etapas consideradas mais exigentes da presente edição.
A Volta a Portugal Feminina continua a afirmar-se como uma das competições mais importantes do calendário velocipédico nacional. Nesta sexta edição participam cerca de 130 ciclistas em representação de 23 equipas e de dez nacionalidades, números que fazem desta a edição mais internacional de sempre da prova. O crescimento da competição foi precisamente um dos aspetos destacados pelo presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, que recordou a evolução registada desde a criação da corrida.
Segundo explicou, a prova nasceu há apenas cinco anos com o objetivo de impulsionar o ciclismo feminino português, mas rapidamente ultrapassou as expectativas iniciais, transformando-se numa competição internacional capaz de atrair algumas das melhores equipas do mundo. O dirigente sublinhou que esta realidade representa também uma oportunidade única para as equipas portuguesas e para as jovens atletas nacionais, que passam a competir ao mais alto nível sem saírem do país, permitindo-lhes crescer desportivamente perante um pelotão cada vez mais forte e competitivo.
Cândido Barbosa revelou ainda que o interesse internacional pela Volta a Portugal Feminina continua a aumentar de forma significativa. Além das 18 equipas estrangeiras presentes nesta edição, existiu uma lista de espera com 36 equipas internacionais interessadas em participar, um dado que classificou como inédito e que considera ser o reflexo da qualidade organizativa alcançada nas edições anteriores. Para o presidente da Federação, este reconhecimento demonstra que Portugal conquistou credibilidade na organização do ciclismo feminino internacional e que a prova se encontra hoje plenamente consolidada.
Nas suas declarações, o dirigente fez igualmente questão de destacar a importância de Águeda na história e no desenvolvimento do ciclismo português. Recordando uma conversa mantida com o presidente da Câmara Municipal durante a apresentação de outra prova velocipédica, afirmou que uma cidade com uma tradição tão forte ligada à bicicleta tinha obrigatoriamente de receber uma etapa da Volta a Portugal Feminina. “Águeda é terra das bicicletas”, afirmou, acrescentando que todas as grandes competições da modalidade fazem sentido naquele território. Agradeceu ainda o apoio prestado pelo município, pelo executivo camarário e pela população aguedense, salientando que as estradas onde decorrem estas provas representam os verdadeiros estádios da modalidade.
Questionado sobre a possibilidade de a prova regressar a Águeda no próximo ano com mais etapas, Cândido Barbosa explicou que o atual formato da competição foi cuidadosamente pensado para garantir equilíbrio competitivo entre etapas em linha e contrarrelógio, considerando que um aumento do número de dias poderia retirar qualidade ao espetáculo e aumentar o desgaste das atletas.
Também o vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda, Edson Santos, manifestou a satisfação do município por voltar a receber uma competição de elevado nível. O autarca considerou que o crescimento do ciclismo feminino é hoje uma realidade evidente e destacou o elevado número de atletas presentes nesta edição, sublinhando que o pelotão ultrapassa já, em dimensão, o de algumas edições da própria Volta a Portugal masculina. Aproveitou igualmente para agradecer à Federação Portuguesa de Ciclismo, à organização e a todas as entidades envolvidas no evento, salientando o esforço desenvolvido para garantir a realização da etapa apesar das difíceis condições meteorológicas e dos incêndios que marcaram os últimos dias no concelho e na região.
Edson Santos frisou que, mesmo perante circunstâncias adversas, é importante que a atividade desportiva continue e que os municípios demonstrem capacidade para acolher grandes eventos. Defendeu que a resiliência faz parte da identidade das comunidades e que Águeda quis mostrar precisamente essa capacidade de organização, mesmo num contexto particularmente exigente.
O vice-presidente deixou ainda antever novidades para os próximos meses ao revelar que decorrem conversações para trazer novas competições velocipédicas ao concelho, admitindo que poderão existir surpresas já durante o mês de agosto. Referiu igualmente que a zona da Escola Secundária Adolfo Portela demonstrou reunir excelentes condições para acolher chegadas deste género e explicou que, após a conclusão da requalificação da Avenida 25 de Abril, o município ficará ainda melhor preparado para receber provas nacionais e internacionais de grande dimensão.
Entre as protagonistas da jornada esteve também Raquel Queirós, da Atum General/Tavira, que voltou a ser a melhor portuguesa da etapa. A ciclista reconheceu que o calor foi o principal adversário ao longo dos 84,5 quilómetros, explicando que a corrida foi extremamente intensa desde os primeiros metros devido aos constantes ataques registados praticamente desde o quilómetro zero. Ainda assim, considerou que foi uma etapa muito disputada e tecnicamente interessante, obrigando todas as equipas a manterem um elevado nível competitivo durante toda a corrida.
A realização da chegada da Volta a Portugal Feminina em Águeda constitui mais um importante momento para a promoção do concelho enquanto território profundamente ligado ao ciclismo. Numa cidade reconhecida nacional e internacionalmente pela sua indústria das bicicletas e pela organização regular de grandes eventos desportivos, a presença da competição veio reforçar a imagem de Águeda como uma referência incontornável da modalidade em Portugal, deixando igualmente em aberto a possibilidade de novas provas e novas chegadas num futuro próximo.













