Associação de Vale Domingos leva conflito com Junta de Freguesia à reunião da Câmara de Águeda

Ricardo Pereira denunciou a substituição das fechaduras do espaço utilizado como sede da associação e afirmou terem desaparecido bens do interior. Jorge Almeida garantiu que a Câmara não deu qualquer instrução para a mudança das fechaduras e apelou ao entendimento entre a Associação e a Junta de Freguesia.

O presidente da Associação de Vale Domingos, Ricardo Pereira, marcou presença, esta quinta-feira, 1 de outubro, na reunião do Executivo Municipal de Águeda, levando ao período antes da ordem do dia as divergências existentes em torno da utilização do espaço que tem servido de sede à coletividade e da manutenção do Parque Botânico de Vale Domingos.

Na sua intervenção, Ricardo Pereira começou por fazer um balanço dos compromissos assumidos na sequência de uma reunião realizada no início deste ano, considerando que, das entidades envolvidas, «a parte que mais cumpriu foi a Câmara Municipal de Águeda».

O responsável da Associação relatou depois um episódio ocorrido durante o período de férias, afirmando que o presidente da Junta de Freguesia de Águeda, Nuno Cardoso, procedeu à alteração das fechaduras do espaço que a Associação ocupava como sede.

Segundo Ricardo Pereira, durante esse processo o espaço terá permanecido aberto durante, pelo menos, quatro dias, tendo afirmado que alguns pertences que se encontravam no interior terão desaparecido.

Perante o Executivo, o presidente da Associação quis saber concretamente se a Câmara Municipal de Águeda tinha conhecimento da alteração das fechaduras ou se, de alguma forma, tinha autorizado essa intervenção.

Jorge Almeida respondeu de forma taxativa: «Não. Não demos qualquer instrução para a troca das fechaduras.»

O presidente da Câmara de Águeda procurou, contudo, afastar o Município do conflito existente entre as partes e apelou ao entendimento. Jorge Almeida afirmou não ter disponibilidade para alimentar confrontos ou «amuos», considerando que existe atualmente um problema de relacionamento entre os intervenientes.

Recordando a génese daquele espaço, o autarca explicou que o projeto partiu da Junta de Freguesia, ao qual posteriormente se associou a Associação de Vale Domingos, sublinhando que se tratava, acima de tudo, de um projeto de integração da comunidade.

Jorge Almeida destacou igualmente o investimento que a Câmara Municipal tem realizado naquele espaço ao longo dos anos.

Relativamente ao Parque Botânico, Ricardo Pereira sustentou que, também na manutenção daquele espaço, tem sido a Câmara Municipal quem mais tem cumprido os compromissos assumidos.

O presidente da Câmara recordou, porém, que é à Junta de Freguesia que compete assegurar a manutenção do parque, referindo que, segundo a informação de que dispõe, terá existido necessidade de uma intervenção da Junta devido ao estado em que o espaço se encontrava.

A questão do fornecimento de eletricidade foi igualmente abordada. Jorge Almeida indicou que, tanto quanto era do seu conhecimento, o contrato de fornecimento de energia elétrica se encontrava em nome da Junta de Freguesia. Ricardo Pereira esclareceu que essa situação resultava de um acordo anteriormente estabelecido.

Jorge Almeida deixou ainda uma indicação clara à Associação relativamente às matérias relacionadas com a manutenção do espaço: «Organizem-se com a Junta de Freguesia.»

Apesar das divergências existentes, o presidente da Câmara assegurou que o Município continuará disponível para colaborar com a Associação de Vale Domingos nas iniciativas que estejam dentro das competências e possibilidades municipais.

«Todas as iniciativas que tenham e que a Câmara Municipal possa apoiar, contem connosco», afirmou.

No final da resposta, Jorge Almeida apelou ao consenso e à recuperação do diálogo entre a Associação de Vale Domingos e a Junta de Freguesia de Águeda, considerando que as duas partes «ainda vão a tempo» de ultrapassar as divergências existentes.

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