A segunda edição do DROP – Laboratório de Criação e Experimentação Sonora voltou a transformar o Parque Fluvial de Almear, em Travassô, num espaço de encontro entre música, performance, natureza e comunidade. O evento decorreu entre 4 e 6 de setembro e, apesar da chuva ter condicionado a afluência, a organização faz um balanço positivo, destacando a qualidade artística, o regresso de participantes da primeira edição e a presença de famílias provenientes de vários pontos do país.
Durante três dias, o Parque Fluvial de Almear recebeu uma programação que cruzou diferentes linguagens e formas de expressão. Música, performance, instalações sonoras, atividades dirigidas às famílias, exploração da natureza, conversas e processos de criação coletiva fizeram parte de uma proposta que procurou aproximar artistas, público e território.
Promovido pela Luarky – Associação Cultural e Recreativa, o DROP voltou a assumir-se como um laboratório onde a experimentação artística não acontece isoladamente, mas em permanente relação com o espaço envolvente e com quem participa.
Público regressou e houve famílias vindas de outros distritos
Um dos sinais destacados pela organização foi o regresso de várias pessoas que já tinham participado na primeira edição do DROP. Depois da experiência inaugural, decidiram voltar ao Parque de Almear para acompanhar a evolução do projeto e descobrir a programação preparada para 2026.
A segunda edição conseguiu igualmente despertar a curiosidade de novos públicos. Entre os participantes estiveram famílias provenientes de outros distritos, algumas das quais viajaram de caravana e optaram por permanecer na região durante os três dias do evento.
Este envolvimento é encarado pela organização como particularmente relevante num projeto que procura criar uma experiência cultural que ultrapasse a lógica tradicional de assistir a um espetáculo e regressar a casa.
No DROP, o próprio tempo passado no parque, o contacto com a natureza, a proximidade entre artistas e espectadores e a possibilidade de acompanhar diferentes momentos da programação fazem parte da identidade do evento.
Diferentes gerações partilharam o mesmo espaço
A diversidade geracional foi outra das características que marcou a edição deste ano.
O Parque Fluvial de Almear recebeu pais acompanhados pelos filhos, mas também situações inversas, com filhos a levarem os pais mais velhos para conhecerem o espaço, assistirem aos espetáculos e participarem no ambiente criado em torno do DROP.
A presença simultânea de diferentes gerações reforçou uma das características que a organização pretende imprimir ao projeto: apresentar propostas artísticas menos convencionais sem criar barreiras entre a criação contemporânea e o público.
Apesar da componente experimental da programação, o objetivo passa precisamente por proporcionar uma experiência acessível, próxima e capaz de despertar a curiosidade de pessoas com diferentes idades, percursos e hábitos culturais.
Qualidade artística e estreia do DROPestra em destaque
A organização salienta também a qualidade dos espetáculos e dos músicos que integraram a segunda edição, bem como o envolvimento dos artistas ao longo dos três dias.
Entre os momentos desta edição esteve a estreia do projeto DROPestra, numa programação que voltou a apostar na criação, na experimentação e no desenvolvimento de propostas pensadas para dialogar com as características do próprio Parque Fluvial de Almear.
O trabalho desenvolvido pelos voluntários, parceiros e entidades locais é igualmente apontado como uma das componentes fundamentais para a realização do evento.
As reações recolhidas durante e depois do DROP foram, segundo a organização, muito positivas. Para além das conversas informais mantidas com os participantes, o público teve a possibilidade de deixar mensagens e comentários num espaço criado especificamente para esse efeito dentro do recinto.



Chuva condicionou afluência, mas organização destaca sinais positivos
As condições meteorológicas acabaram por ter impacto no número de participantes, ficando a afluência abaixo das expectativas iniciais. Ainda assim, para a Luarky, os indicadores recolhidos ao longo dos três dias permitem fazer uma avaliação positiva desta segunda edição.
“Mesmo com uma afluência abaixo daquilo que desejávamos, devido à chuva, esta edição deixou-nos sinais muito importantes. Encontrámos pessoas que regressaram depois de terem estado connosco no primeiro ano, famílias que vieram de outros distritos e participantes que ficaram durante os três dias”, afirma Ana Duarte, da organização.
A responsável destaca igualmente a capacidade de concretizar uma programação artisticamente exigente e de encontrar público disponível para conhecer propostas diferentes.
“Conseguimos realizar uma programação exigente, com propostas e músicos de grande qualidade e é muito gratificante perceber que continua a existir público interessado em descobrir propostas novas, experimentar outros formatos e viver a cultura fora dos espaços habituais”, acrescenta.
Parque de Almear é mais do que o cenário do DROP
Para a Luarky, contudo, o impacto do projeto não deve ser medido exclusivamente pelos três dias em que decorre o evento.
A associação considera que começa a ser visível uma nova dinâmica no Parque Fluvial de Almear, com o espaço a ganhar utilização e vida para além do período em que recebe o DROP.
Esta relação continuada entre o público e o parque constitui, segundo a organização, um dos principais objetivos do projeto.
A intenção passa por contribuir para que Almear seja progressivamente reconhecido como um lugar de encontro, permanência, descoberta e contacto com a natureza, associando essa dimensão à criação artística e cultural.
“Queremos que o DROP contribua para criar uma relação continuada com este lugar. O parque não é apenas o cenário do evento: é parte do projeto e da experiência. Ver pessoas regressarem e apropriarem-se do espaço para além destes três dias é um dos resultados mais importantes deste trabalho”, sublinha Ana Duarte.
Desta forma, a segunda edição procurou consolidar uma identidade em que território, natureza, criação e comunidade não surgem como elementos separados, mas como diferentes componentes da mesma experiência.
Organização agradece apoio das entidades locais
A Luarky – Associação Cultural e Recreativa deixa ainda um agradecimento à Câmara Municipal de Águeda, à CCDR Centro e às restantes entidades apoiantes e parceiras que contribuíram para a concretização do DROP 2026.
A organização destaca particularmente o apoio institucional e logístico da União das Freguesias de Travassô e Óis da Ribeira, considerado fundamental para a realização desta segunda edição.
O agradecimento é igualmente dirigido aos artistas, músicos, técnicos, voluntários, associações, fornecedores e a todas as pessoas que passaram pelo Parque Fluvial de Almear entre 4 e 6 de setembro.
Terminada a segunda edição, o DROP deixa assim Almear com a expectativa de continuidade. Mais do que realizar três dias de programação cultural, o projeto pretende construir, edição após edição, uma relação duradoura entre criação artística, comunidade e território.
O reencontro fica marcado para 2027.
