Duas mulheres à mesa das decisões em Águeda

O Dia Internacional da Mulher convida sempre a olhar para os lugares onde as decisões são tomadas. Nas empresas, nas associações, nas escolas, mas também na política local, onde muitas vezes se decide aquilo que mais diretamente influencia o quotidiano das pessoas.

Em Águeda, à mesa do executivo municipal, continuam a ser poucas as mulheres. Entre sete vereadores, são duas as vozes femininas que participam nas decisões do concelho: Marlene Gaio, na maioria que governa a Câmara Municipal, e Daniela Herculano, na oposição socialista.

Duas mulheres, dois percursos diferentes, duas formas distintas de olhar a política local, mas com um ponto em comum: ocupam hoje um espaço que durante décadas foi quase exclusivamente masculino.

Marlene Gaio, advogada de profissão e natural de Barrô, traz para a política municipal um percurso marcado pela intervenção cívica e associativa. Antes de chegar ao executivo camarário já tinha passado pela Assembleia de Freguesia e pela Assembleia Municipal, onde foi primeira-secretária. Ao longo dos anos esteve também ligada a estruturas de apoio social e comunitário, como a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Águeda.

No executivo liderado por Jorge Almeida, presidente da CIRA e da Câmara Municipal de Águeda, Marlene Gaio tem assumido um papel particularmente visível nas áreas da educação, da ação social e das políticas de proximidade. São áreas menos mediáticas do que grandes obras ou investimentos estruturais, mas onde se mede muitas vezes a capacidade de uma autarquia responder aos problemas concretos das famílias.

Do outro lado da mesa está Daniela Herculano. Natural de Valongo do Vouga, representa o Partido Socialista no executivo e assume o papel de oposição. O seu percurso passou também pelos corredores da própria autarquia, tendo sido chefe do gabinete de apoio à presidência da Câmara de Águeda.

Nos últimos anos, Daniela Herculano tem marcado presença nas reuniões do executivo com intervenções frequentes sobre temas como planeamento urbano, gestão do território, mobilidade ou execução orçamental. Paralelamente, mantém atividade profissional ligada à inovação e à gestão de projetos, áreas que têm moldado o seu discurso político, frequentemente centrado em desenvolvimento económico e competitividade territorial.

Entre a governação e o escrutínio, entre a maioria e a oposição, as duas representam hoje a presença feminina num órgão onde durante muitos anos quase não havia mulheres.

O facto pode parecer pequeno à primeira vista — duas em sete — mas tem um significado que vai além da matemática. Cada presença feminina em órgãos de decisão contribui para normalizar aquilo que durante demasiado tempo foi exceção.

A política local, como muitas outras esferas públicas, construiu-se historicamente com uma forte predominância masculina. As mudanças são lentas, muitas vezes discretas, mas vão acontecendo à medida que novas gerações entram na vida pública.

Neste Dia Internacional da Mulher, a presença de Marlene Gaio e Daniela Herculano no executivo municipal de Águeda recorda que a participação feminina na política não é apenas uma questão simbólica. É também uma questão de representatividade, de diversidade de perspetivas e de equilíbrio na construção das decisões que moldam a vida de um concelho.

Porque governar uma comunidade é, no fundo, olhar para ela como um todo. E uma comunidade nunca é feita apenas de metade das suas vozes.

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