Resíduos continuam a ser depositados em aterro que ardeu junto às Ferragens Aguiar apesar da combustão ainda se manter ativa. Empresários alertam para o risco de um incêndio de grandes dimensões.
Empresários da Zona Industrial de Assequins, em Águeda, denunciam uma situação que consideram extremamente preocupante e apelam à intervenção urgente da Câmara Municipal de Águeda para resolver um problema que se arrasta desde a passada sexta-feira.
Em causa está o aterro municipal destinado à deposição de resíduos verdes, localizado em frente às Ferragens Aguiar, onde continuam a ser descarregadas ramagens, restos de podas e outros materiais biodegradáveis, apesar de o local ter sido consumido por um incêndio e de os resíduos permanecerem em combustão lenta.
Segundo explicou ao Notícias de Águeda um dos empresários que tem acompanhado a situação no terreno, o incêndio deflagrou na passada sexta-feira, mas o material continua “a moer por dentro”, reacendendo-se sucessivamente.
“No sábado voltou a pegar fogo, no domingo aconteceu o mesmo e hoje, segunda-feira, continua a existir combustão no interior dos resíduos”, explicou.
Apesar do perigo evidente, continuam a chegar ao local particulares e empresas para descarregar novos resíduos verdes.
Durante a tarde de sábado, o proprietário das Ferragens Aguiar e outro empresário permaneceram cerca de duas horas junto ao aterro para impedir novas descargas, alertando sucessivamente todas as pessoas que ali se deslocavam.
“Muita gente chegava para despejar o lixo verde e nós explicávamos que aquilo estava a arder por dentro e que não podiam continuar a colocar mais material. Alguns respondiam apenas que aquele era o local destinado às descargas”, relatou.
Perante a insistência de vários utilizadores, foi solicitada a intervenção da Guarda Nacional Republicana.
A GNR deslocou-se ao local e colocou fita de interdição na entrada do aterro, impedindo o acesso à zona de deposição.
Mesmo depois dessa intervenção, ainda houve quem tentasse descarregar resíduos, acabando por desistir depois de ser alertado pelos empresários.
No entanto, esta segunda-feira, a situação voltou a repetir-se.
Segundo os denunciantes, várias pessoas terão removido ou ultrapassado a fita colocada pela GNR e continuaram a efetuar descargas no interior do aterro.
“O proprietário das Ferragens Aguiar passou praticamente todo o dia de hoje a mandar pessoas embora e a explicar que não podiam continuar a descarregar ali resíduos. Infelizmente, muitos insistem em fazê-lo”, afirmou.
Os empresários garantem que a situação já foi comunicada à Câmara Municipal de Águeda através de correio eletrónico, mas dizem não ter recebido qualquer resposta nem assistido a qualquer intervenção no local.
A principal preocupação prende-se com o risco de propagação do incêndio.
Nas imediações encontram-se as instalações das Ferragens Aguiar, outras empresas da Zona Industrial de Assequins, uma extensa área de vegetação e um posto de abastecimento de combustíveis, circunstâncias que, segundo os empresários, tornam a situação particularmente perigosa.
“Enquanto os resíduos continuarem em combustão e continuarem a ser depositados novos materiais, basta uma projeção para provocar um incêndio de grandes dimensões. Estamos a falar de uma zona industrial e de um local onde existem empresas e combustível nas proximidades”, alertam.
Perante esta situação, os empresários apelam à intervenção urgente da Câmara Municipal de Águeda, defendendo que o foco de combustão deve ser definitivamente extinto, que o aterro seja encerrado temporariamente enquanto persistir o perigo e que sejam reforçadas as medidas de fiscalização para impedir novas deposições de resíduos.
Os denunciantes consideram que a situação não pode continuar a arrastar-se e alertam que uma intervenção rápida poderá evitar consequências graves para as empresas, trabalhadores e restantes utilizadores da Zona Industrial de Assequins.







