Assinalaram-se ontem, 20 de janeiro, 60 anos sobre o grave acidente ferroviário ocorrido às portas de Águeda, em 1966, provocado pela cedência do talude que suportava a linha do Vale do Vouga, na sequência de um período de chuvas intensas.
O acidente envolveu o comboio de passageiros que efetuava a ligação entre Sernada do Vouga e Aveiro e ocorreu numa zona próxima da atual freguesia da Mourisca do Vouga. A instabilidade do terreno levou ao colapso do talude, fazendo com que a locomotiva e algumas carruagens descarrilassem e se precipitassem vários metros abaixo da via férrea.
O desastre causou a morte de três pessoas: o maquinista José Rodrigues, natural de Macinhata, o fogueiro António Pacheco Dias, de Jafafe, e a passageira Albertina Bastos Santos, residente no Soutelo. Para além das vítimas mortais, registaram-se dezenas de feridos, vários dos quais em estado grave, que foram transportados para unidades hospitalares da região.
À data, a Linha do Vale do Vouga era um eixo fundamental de mobilidade para trabalhadores, estudantes e comerciantes, ligando comunidades rurais ao litoral, o que contribuiu para o forte impacto social do acidente nas populações locais. O episódio marcou profundamente a memória coletiva de Águeda e dos concelhos vizinhos, não só pela tragédia humana, mas também pelas fragilidades então existentes na manutenção e segurança das infraestruturas ferroviárias.
Seis décadas depois, o acidente continua a ser recordado como um dos mais trágicos da história ferroviária regional e como um alerta para a importância da vigilância e prevenção em zonas de risco geológico ao longo da rede ferroviária.
