O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, aproveitou a última sessão da Assembleia Municipal dedicada ao estado do concelho para apresentar uma intervenção profundamente política, estratégica e marcada por um tom de confiança no futuro do território, defendendo que Águeda atravessa um dos momentos mais importantes da sua história recente, sustentado numa forte dinâmica de investimento, crescimento económico, valorização ambiental, reforço da coesão territorial e modernização do concelho.
Num discurso longo e bastante emotivo em vários momentos, Jorge Almeida procurou não apenas enumerar obras e projetos, mas sobretudo construir uma narrativa de transformação sustentada, assente na ideia de persistência, visão e capacidade de concretização. O autarca começou precisamente por abordar essa dimensão mais humana e filosófica da governação, defendendo que o futuro nunca está totalmente definido e que os territórios se constroem através das escolhas, da coragem e da capacidade de agir.
Recorrendo a referências sobre destino, persistência e superação, o presidente afirmou que “não é o destino que nos derrota, é a desistência”, defendendo que Águeda escolheu fazer acontecer e assumir uma postura ambiciosa perante os desafios.
Ao longo da intervenção, Jorge Almeida insistiu várias vezes na ideia de que o concelho deixou há muito de viver apenas de intenções ou promessas, encontrando-se hoje numa fase de concretização efetiva de projetos estruturantes em praticamente todas as áreas.
Uma das primeiras grandes áreas destacadas foi o ambiente e a sustentabilidade, setor onde o presidente considera que Águeda se afirmou claramente à escala nacional e europeia. A distinção de European Green Leaf 2026 surgiu como um dos símbolos máximos desse reconhecimento internacional.
Jorge Almeida fez questão de sublinhar que este prémio europeu não representa apenas um compromisso futuro, mas sim uma validação concreta do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos pelo município. Segundo afirmou, a distinção reconhece políticas ambientais consistentes, investimentos sustentados e uma visão estratégica que colocou Águeda entre os territórios mais avançados da Europa em matérias ligadas à sustentabilidade.
O autarca destacou projetos como o LIFE Águeda e o LIFE Revive, referindo que o município tem vindo a desenvolver intervenções profundas ao nível da reabilitação ecológica e da renaturalização das linhas de água, da recuperação de habitats naturais, da criação de corredores ecológicos, da promoção da mobilidade suave, da eficiência energética e da adaptação às alterações climáticas.
Foi também neste contexto que abordou o futuro Parque Ambiental, apresentado como um dos projetos mais emblemáticos do futuro imediato do concelho. Jorge Almeida revelou que o projeto técnico se encontra concluído e que decorrem atualmente os trabalhos relacionados com o faseamento da obra.
Explicou que a execução terá obrigatoriamente de ser realizada por fases devido às características da área envolvente, situada na várzea do Rio Águeda, uma zona naturalmente sensível e sujeita a fenómenos de inundação. O presidente considerou que esta metodologia representa uma forma “inteligente” e responsável de concretizar a intervenção, garantindo segurança e adaptação às condicionantes naturais do território.
O Parque Ambiental foi descrito como um futuro espaço de referência nacional, pensado para reforçar a ligação entre a cidade e o rio, promover a biodiversidade, criar novas zonas verdes e aumentar a capacidade de resiliência climática do concelho.
Outro dos momentos centrais da intervenção surgiu quando Jorge Almeida abordou finalmente a ligação rodoviária Águeda-Aveiro, uma obra reivindicada há décadas e que o presidente classificou como uma das infraestruturas mais importantes para o futuro económico e territorial da região.
Num anúncio aguardado há muito tempo, o autarca revelou que o concurso público internacional para a execução da obra deverá ser lançado já no início do próximo mês de julho.
Segundo explicou, o projeto está completamente concluído e aprovado, encontrando-se neste momento numa fase decisiva relacionada com a aquisição dos terrenos necessários à construção da nova via.
Jorge Almeida revelou inclusivamente que, no próprio dia da Assembleia Municipal, as equipas técnicas das câmaras municipais de Águeda e Aveiro estiveram reunidas para concluir os últimos procedimentos administrativos e financeiros indispensáveis ao lançamento do concurso.
“Nunca estivemos tão perto”, afirmou o presidente, defendendo que o concelho atingiu finalmente um patamar de concretização que nunca tinha sido alcançado em anteriores mandatos ou governos.
Ao longo do discurso, o autarca deixou também várias críticas implícitas a setores que considera excessivamente pessimistas ou incapazes de reconhecer a evolução do território. Jorge Almeida referiu que existe frequentemente uma tendência para criticar projetos apenas quando estes começam efetivamente a ganhar forma, considerando que muitas dessas críticas desaparecem perante a obra concluída e a aprovação generalizada da população.
A mobilidade foi outro dos temas centrais da intervenção, sobretudo no que diz respeito aos transportes públicos.
O presidente recordou que a atual concessão intermunicipal representou um enorme desafio, assumido numa altura em que praticamente não existia uma verdadeira rede articulada de transportes públicos na região.
Reconhecendo que houve dificuldades iniciais e aspetos a melhorar, Jorge Almeida considerou que a realidade atual é “incomparavelmente melhor” face ao passado.
O autarca destacou a criação de uma rede mais abrangente, com maior cobertura territorial, mais horários e mais qualidade de serviço, bem como a implementação da tarifa única intermunicipal de 15 euros mensais, permitindo aos utilizadores circular em toda a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro.
Segundo explicou, esta primeira concessão permitiu ainda recolher dados fundamentais sobre os hábitos de mobilidade da população, informação que será essencial para desenhar futuras soluções mais eficientes e adaptadas às necessidades reais das pessoas.
A habitação foi igualmente abordada de forma bastante detalhada.
Jorge Almeida reconheceu as dificuldades que atualmente se vivem no setor habitacional, mas rejeitou categoricamente a ideia de que o município tenha permanecido inativo.
Pelo contrário, afirmou que Águeda está atualmente a viver um dos maiores ciclos de reabilitação urbana da sua história, com dezenas de edifícios recuperados ou em processo de recuperação espalhados pelo território.
O presidente explicou que a estratégia municipal passa sobretudo pelo apoio ao arrendamento e pela dispersão territorial das respostas habitacionais, evitando a concentração em bairros sociais e promovendo antes a integração social distribuída pelo concelho.
Segundo defendeu, este modelo permite criar maior equilíbrio social e evita fenómenos de exclusão ou segregação urbana.
Paralelamente, Jorge Almeida destacou o crescente dinamismo do setor privado, afirmando que existem numerosos projetos de construção em desenvolvimento ou em preparação, sinal claro da crescente atratividade do concelho para viver e investir.
O presidente revelou ainda que o município reforçou significativamente os serviços ligados ao licenciamento urbanístico e empresarial, com novos recursos humanos, modernização tecnológica, simplificação administrativa e uniformização de critérios, procurando tornar Águeda mais competitiva na atração de investimento.
A coesão territorial mereceu também um forte destaque.
Jorge Almeida reconheceu que, durante vários anos, grande parte do investimento municipal esteve concentrado na cidade devido às regras associadas aos programas de financiamento europeu, nomeadamente ao PEDU.
No entanto, garantiu que o município entrou agora numa nova fase de investimento claramente direcionada para as freguesias, procurando corrigir desequilíbrios e reforçar a igualdade territorial dentro do concelho.
Fermentelos, Valongo do Vouga, Aguada de Cima, Mourisca do Vouga e várias outras localidades foram apontadas como exemplos desta nova dinâmica de investimento descentralizado.
A intervenção passou ainda pela valorização do património ferroviário e turístico, com destaque para a ampliação do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga e para a aposta na Linha do Vouga.
Jorge Almeida afirmou que está a nascer um projeto único no país, com dimensão internacional, assente na valorização das vias estreitas ferroviárias e na criação de um verdadeiro “museu vivo” articulado entre Macinhata do Vouga e Sernada do Vouga.
Segundo explicou, o objetivo passa por transformar património histórico e identidade ferroviária em motor de desenvolvimento turístico, cultural e económico.
O movimento associativo foi igualmente elogiado ao longo da intervenção.
O presidente destacou o papel das centenas de associações culturais, recreativas, desportivas e sociais do concelho, considerando-as uma das grandes forças de Águeda.
Jorge Almeida afirmou que o município continuará a reforçar o apoio financeiro, logístico e institucional ao associativismo, reconhecendo o papel decisivo destas instituições na dinamização cultural, social e desportiva do território.
A conclusão do novo Mercado Municipal foi outro dos projetos destacados.
Depois de um processo complexo e prolongado, Jorge Almeida garantiu que o equipamento se encontra muito próximo da conclusão, considerando que o novo mercado terá capacidade para revitalizar o centro urbano, dinamizar a economia local e atrair visitantes ao concelho.
Também a floresta e a proteção civil surgiram em destaque, com o presidente a anunciar a construção de três novos grandes reservatórios estratégicos em Alcafaz, Lourizela e Fonte de Negrão, bem como a instalação de novos pontos de vigilância no âmbito de um projeto da CIRA.
No plano financeiro, Jorge Almeida procurou reforçar a ideia de rigor e sustentabilidade das contas municipais.
Segundo afirmou, a Câmara Municipal de Águeda apresenta atualmente uma situação financeira sólida, com pagamentos a fornecedores num prazo médio de apenas 14 dias e sem endividamento relevante.
Ao mesmo tempo, destacou a aplicação da taxa mínima legal de IMI de 0,3% e a devolução integral dos 5% do IRS aos contribuintes residentes no concelho, medidas que considerou demonstrações claras de uma política fiscal orientada para apoiar diretamente as famílias.
Na reta final da intervenção, Jorge Almeida assumiu claramente o orgulho pelo percurso realizado pelo município e pelas equipas da autarquia, defendendo que o atual momento do concelho resulta de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo de vários anos.
Reconhecendo que existem processos demorados, dificuldades e desafios por resolver, o presidente insistiu que o mais importante é que os projetos estão efetivamente a avançar e que Águeda está hoje a concretizar investimentos e transformações aguardadas há décadas pela população.
Entre aplausos de vários setores da Assembleia Municipal, Jorge Almeida terminou reafirmando a ambição de continuar a acelerar o desenvolvimento do concelho, defendendo que o território vive atualmente uma dinâmica particularmente forte, sustentada por visão estratégica, capacidade de execução e confiança no futuro.
