José Carlos Arede defende regresso à liderança dos Pioneiros e contesta responsabilidades em processo da ACT

José Carlos Arede esteve esta noite nos estúdios da TVC para uma entrevista alargada, integrada na cobertura do processo eleitoral da associação Os Pioneiros – Associação de Pais de Mourisca do Vouga, cujas eleições para os órgãos sociais estão marcadas para o próximo dia 29. Único candidato presente no debate promovido pela TVC e pelo Notícias de Águeda, o cabeça de lista B explicou as razões da sua candidatura, respondeu às acusações que têm sido tornadas públicas e enquadrou a sua posição à luz de vários documentos oficiais, incluindo processos da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e elementos contabilísticos da instituição.

Antigo presidente da direção durante 12 anos, José Carlos Arede afirmou que a sua candidatura resulta de múltiplos apelos de sócios e trabalhadores, que, segundo disse, manifestam preocupação com a atual situação da instituição. “Os Pioneiros foram uma referência concelhia, distrital e até nacional. Hoje, aquilo que me chega é a perceção de uma instituição fragilizada, quer do ponto de vista humano, quer do ponto de vista financeiro”, afirmou.

No plano financeiro, o candidato centrou grande parte da sua intervenção na análise de decisões tomadas após a sua saída da presidência, em 2021. Referiu a realização de assembleias gerais destinadas à constituição de garantias reais sobre património da associação, incluindo a penhora de imóveis e fundos de tesouraria, num montante global que situou em cerca de 750 mil euros. Arede questionou a necessidade destas opções, sublinhando que, no final do seu mandato, a instituição dispunha de património significativo, contas consolidadas e projetos estruturantes integralmente financiados.

Entre esses projetos destacou o PARS 3, que previa a reconversão e ampliação de respostas sociais, assegurando que o mesmo estava financiado em cerca de 700 mil euros por fundos públicos, com o remanescente garantido por verbas próprias e comparticipação municipal. O candidato afirmou ainda ter deixado, à data da sua saída, valores superiores a 300 mil euros depositados em contas da instituição, informação que disse estar comprovada por documentação bancária.

Relativamente aos donativos, José Carlos Arede apresentou números detalhados, referindo que, ao longo de uma década, foram angariados cerca de 1,095 milhões de euros, provenientes de particulares, empresas e outras entidades, valores que, segundo afirmou, constam das contas anuais da associação. Os mapas financeiros anexos às contas demonstram uma evolução consistente da atividade, com crescimento do volume de rendimentos, reforço do ativo e consolidação dos fundos patrimoniais, nomeadamente até ao exercício de 2021/2022.

Um dos pontos centrais da entrevista prendeu-se com a existência de processos judiciais e contraordenacionais referidos pela lista concorrente como fundamento para a recusa em participar no debate televisivo. Sobre este tema, José Carlos Arede foi perentório ao afirmar que nunca foi condenado em qualquer processo. Relativamente a uma notificação da ACT, cujo conteúdo consta dos documentos analisados, esclareceu que a mesma respeita a um acidente de trabalho ocorrido em 2024, já após a sua saída da presidência, envolvendo uma trabalhadora da cantina da instituição.

De acordo com a notificação oficial da ACT, o processo de contraordenação foi instaurado à entidade empregadora, Os Pioneiros, e identifica como responsável solidário o presidente em funções à data dos factos. No entanto, José Carlos Arede explicou que, por lapso administrativo, a notificação foi endereçada ao seu nome, situação que disse já ter sido sinalizada junto da ACT, sublinhando que os factos em causa ocorreram três anos depois de ter cessado funções.

Foi igualmente abordado um outro processo judicial relacionado com trabalhos de movimentação de terras realizados num terreno contíguo à instituição. Arede explicou que as obras tiveram como objetivo o nivelamento do espaço, sem custos para a associação, e que a situação posterior, envolvendo alegada extração indevida de inertes por parte de terceiros, foi do seu conhecimento apenas mais tarde. Garantiu nunca ter sido ouvido no âmbito desse processo, nem constituído arguido, referindo inclusivamente o número do mesmo para que possa ser consultado publicamente.

O candidato rejeitou de forma categórica qualquer acusação de apropriação indevida de bens ou património da instituição, considerando que tais alegações resultam de “insinuações repetidas” que nunca foram formalizadas em sede própria. “Uma mentira muitas vezes repetida pode passar por verdade, e eu assumi durante anos o silêncio para não expor a instituição. Hoje entendo que esse silêncio foi um erro”, afirmou.

José Carlos Arede criticou ainda a alienação recente de património imobiliário dos Pioneiros, nomeadamente a venda de dois apartamentos e de uma loja por cerca de 70 mil euros, questionando a racionalidade económica dessa decisão e defendendo que os imóveis poderiam gerar rendimento regular através do arrendamento, como sucedia durante o seu mandato.

No plano estratégico, reiterou a aposta na habitação colaborativa e nas chamadas “casinhas autónomas”, um projeto iniciado durante a sua presidência e que considera inovador no contexto das respostas sociais. Recordou contactos mantidos com responsáveis governamentais e o enquadramento posterior desta solução na Lei de Bases da Habitação, defendendo que se trata de uma resposta intermédia essencial entre o domicílio e o lar tradicional.

Na reta final da entrevista, José Carlos Arede deixou uma mensagem direta aos sócios, pedindo participação ativa no ato eleitoral e apelando à votação “em consciência”. Garantiu que, caso seja eleito, a sua prioridade será devolver estabilidade, confiança e paz social à instituição, assegurando que coloca “Os Pioneiros à frente de qualquer interesse pessoal”.

As eleições realizam-se no próximo dia 29, com duas listas a sufrágio. A TVC e o Notícias de Águeda reiteram que o convite para participação no debate foi endereçado a ambas as candidaturas, tendo apenas a lista B, liderada por José Carlos Arede, aceite estar presente.

Documentos fornecidos pelo candidato e ocultados, pela redação da TVC/Notícias de Águeda, dados pessoais irrelevantes.

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