Num jogo condicionado pelas muitas ausências, a formação da casa soube sofrer e defender a vantagem. Arbitragem muito pouco conseguida marcou também a partida
A LAAC venceu o Vaguense por 1-0, na segunda jornada da Taça Distrital de Aveiro, mas importa dizer que o resultado acabou por ser bem melhor do que a exibição. A equipa da casa conquistou os três pontos, que era naturalmente o objetivo principal, mas esteve longe de realizar uma partida convincente, num encontro em que teve de sofrer e trabalhar muito para preservar uma vantagem mínima.
E há uma circunstância que não pode ser ignorada na análise à prestação da LAAC: a equipa apresentou-se muito desfalcada, com dez jogadores lesionados, uma situação que inevitavelmente limita as opções do treinador e condiciona a capacidade de resposta ao longo dos 90 minutos. Carlos Figueiredo foi obrigado a lançar mão dos recursos disponíveis e, perante tantas ausências, o mais importante acabou por ser encontrar soluções e garantir o resultado.
A LAAC não esteve particularmente inspirada, revelou dificuldades em vários momentos do encontro e não conseguiu impor o seu jogo com a autoridade que o resultado poderia sugerir. Faltou qualidade em alguns momentos, faltou capacidade para controlar melhor determinadas fases da partida e, sobretudo, faltou transformar a vantagem numa tranquilidade que nunca existiu verdadeiramente.
Mas se a exibição não foi convincente, há um mérito que não pode ser retirado à equipa: soube sofrer.
A formação da LAAC percebeu que não estava numa tarde para grandes exibições e teve de assumir uma postura mais pragmática. Defendeu, lutou, fechou espaços e procurou proteger aquilo que tinha conquistado. Num encontro em que as condições não eram as melhores, essa capacidade de sofrimento acabou por ser determinante para levar os três pontos até ao final.
Também a arbitragem acabou por assumir um protagonismo que não deveria ter tido. Foi uma arbitragem muito pouco conseguida, com uma sucessão de cartões amarelos e várias decisões que deixaram jogadores, técnicos e público com muitas dificuldades em perceber os critérios utilizados.
Não se trata de questionar a autoridade da equipa de arbitragem, que naturalmente deve ser respeitada, mas é legítimo dizer que houve decisões difíceis de entender e um critério disciplinar que pareceu excessivamente carregado, contribuindo para tornar o jogo mais nervoso e fragmentado do que seria desejável.
Num encontro já condicionado pelas muitas limitações da LAAC, a constante interrupção do jogo e a sucessão de advertências acabaram por acrescentar ainda mais dificuldade a uma partida que nunca foi propriamente bem jogada.
O Vaguense procurou aproveitar as dificuldades do adversário e teve momentos em que conseguiu discutir o jogo, mas faltou-lhe a eficácia necessária para transformar essa capacidade em golo. A LAAC, por seu lado, teve de vestir o fato de equipa de combate e resistir até ao apito final.
No futebol, há dias em que se ganha jogando bem. Há outros em que é preciso ganhar jogando menos bem, sofrendo e defendendo. Este foi claramente um desses dias para a LAAC.
A vitória vale três pontos e, numa competição como a Taça, isso é o que fica nas contas. Mas também fica uma evidência: há muito a melhorar na qualidade da exibição.
Com dez jogadores lesionados, não será justo exigir o impossível. Mas também não seria correto esconder aquilo que aconteceu dentro das quatro linhas.
A LAAC ganhou. Mereceu os três pontos pela capacidade de resistência e pelo trabalho defensivo, mas a exibição ficou claramente abaixo do resultado. E, numa equipa que quer continuar a discutir a Taça, será necessário recuperar jogadores, ganhar soluções e, sobretudo, melhorar aquilo que acontece quando a bola começa a rolar.
