Mais de 200 pessoas participaram em vigília silenciosa em apoio aos Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga

Mais de duas centenas de pessoas marcaram presença, na noite desta sexta-feira, numa vigília silenciosa em frente ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga, numa demonstração pública de apoio ao corpo ativo da corporação e de contestação à atual Direção da Associação Humanitária.

A iniciativa juntou população e bombeiros, com a presença de cerca de 70 operacionais, e teve como principal reivindicação a demissão da atual Direção, acusada de falhar no apoio ao funcionamento da corporação e nas condições dadas aos bombeiros para o exercício da sua missão.

Durante a concentração, vários participantes sublinharam que o movimento não teve carácter partidário nem intenção de confrontação, assumindo-se como um gesto cívico de solidariedade com quem diariamente assegura a proteção de pessoas e bens no concelho. “Quando precisamos dos bombeiros, eles estão sempre lá. Agora somos nós que temos de estar com eles”, afirmou uma das pessoas presentes.

Entre as críticas mais apontadas estão a falta de diálogo entre Direção e bombeiros, a inexistência de condições adequadas de trabalho, problemas na manutenção das viaturas, carência de equipamentos e uma alegada ausência de comunicação com os sócios da associação. Alguns participantes referiram ainda que há anos não são convocadas assembleias ou reuniões regulares com os associados.

Vários cidadãos consideram que a dimensão do protesto — envolvendo praticamente todo o corpo ativo — é um sinal claro de que a situação interna é grave. “Não se trata de um ou dois bombeiros insatisfeitos, trata-se de cerca de 70. Quando uma organização perde o apoio dos seus operacionais, algo está claramente errado”, referiu um dos intervenientes.

Questionados sobre a possibilidade de diálogo, alguns manifestantes admitiram que esse caminho deveria existir, mas defendem que a responsabilidade cabe à atual Direção, acusada de não demonstrar abertura para um entendimento. Para muitos, a única solução passa pela entrada de uma nova equipa dirigente, capaz de recuperar a confiança dos bombeiros e da comunidade.

Durante a vigília foi também referida a ausência de envolvimento da autarquia no conflito, com alguns participantes a defenderem que, enquanto cidadãos do concelho, esperariam uma maior atenção institucional à situação vivida na corporação.

A manifestação decorreu em silêncio, de forma ordeira e pacífica, e terminou sem incidentes. A Direção da Associação Humanitária não marcou presença no local. A comunicação social tentou obter uma reação, mas foi informada de que não se encontrava ninguém disponível no quartel no momento da concentração.

Fotos: Miguel Figueiredo

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