Mais de 50 mortos em acidentes com motociclos no primeiro semestre; Aveiro entre os distritos com mais vítimas

A sinistralidade envolvendo motociclos continua a assumir números preocupantes nas estradas portuguesas. No primeiro semestre de 2026, a Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 3.673 acidentes com veículos de duas rodas, dos quais resultaram 52 mortos, 342 feridos graves e 2.650 feridos ligeiros.

De acordo com os dados divulgados pela GNR, 2.871 dos acidentes tiveram vítimas, num total de 3.044 pessoas afetadas.

O distrito de Aveiro surge entre os territórios mais atingidos, tanto no número de acidentes como nas consequências mais graves. Nos primeiros seis meses do ano foram contabilizados 365 acidentes no distrito, enquanto seis pessoas perderam a vida.

A nível nacional, Santarém registou o maior número de vítimas mortais, com oito óbitos, seguindo-se Faro, com sete. Aveiro e Setúbal contabilizaram seis vítimas mortais cada e o Porto cinco.

No número global de acidentes, o Porto lidera com 632 ocorrências, seguido de Braga, com 421, Lisboa, com 397, Faro, com 388, Aveiro, com 365, e Setúbal, com 340.

Maioria dos acidentes acontece dentro das localidades

Um dos dados destacados pela GNR contraria a ideia de que os acidentes mais preocupantes envolvendo motociclos acontecem sobretudo em estradas rápidas ou fora dos centros urbanos.

Segundo a Guarda, 78,8% dos acidentes com vítimas ocorreram dentro das localidades. Dos 2.871 sinistros com vítimas registados durante o primeiro semestre, 2.263 aconteceram dentro de localidades e 608 fora delas.

Também no que respeita às mortes, a maioria ocorreu em meio urbano: 31 das 52 vítimas mortais perderam a vida dentro de localidades, contra 21 fora das localidades.

A GNR aponta o tráfego intenso, a existência frequente de cruzamentos e a sucessão de manobras como fatores que diminuem a margem de reação dos condutores e aumentam o risco de colisão.

Os mais jovens continuam igualmente a representar um grupo particularmente afetado, com a faixa etária até aos 29 anos a concentrar o maior número de vítimas.

Motociclos acima de 125cc destacam-se na sinistralidade

Os motociclos de média e grande cilindrada apresentam um peso significativo nos números. Os veículos com cilindrada superior a 125cc representam 42,3% de todos os acidentes e 42,5% dos acidentes com vítimas.

A maior potência e capacidade de aceleração destes motociclos podem contribuir para aumentar a gravidade das consequências quando ocorre um acidente. Segundo os dados apresentados pela GNR, quase oito em cada dez sinistros envolvendo estes veículos resultam em danos físicos para os ocupantes.

Com o aumento da circulação de motociclos durante os meses de verão, a Guarda reforça o apelo à condução defensiva, utilização adequada dos equipamentos de proteção e atenção redobrada de todos os utilizadores da estrada.

Os números gerais da sinistralidade rodoviária também revelam uma evolução preocupante. Entre 1 de janeiro e 11 de agosto de 2026, foram contabilizados em Portugal 93.012 acidentes, mais 6.120 do que no período homólogo. Destes acidentes resultaram 302 mortos, 1.756 feridos graves e 26.848 feridos ligeiros.

No caso de Aveiro, os dados relativos aos motociclos colocam o distrito simultaneamente entre os que apresentam maior número de acidentes e maior número de vítimas mortais, reforçando a dimensão regional do problema.

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