Águeda recebeu esta terça-feira a visita do ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que escolheu o concelho para dar início a uma nova fase da sua intervenção pública, centrada no contacto direto com os jovens e na reflexão sobre o futuro. A iniciativa arrancou com forte adesão da comunidade escolar, num ambiente marcado pela proximidade e participação ativa dos alunos.
A receção institucional contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, do vice-presidente Edson Sousa e dos vereadores Marlene Gaio, Vasco Oliveira e Carlos Filipe, entre outras entidades.
O antigo Chefe de Estado iniciou no concelho o “Ciclo de Aulas-Debate”, dirigido a alunos do ensino básico e secundário, sob o tema “Educação, vocação, futuro”. As primeiras sessões decorreram na Escola Secundária Adolfo Portela e na Escola Marques de Castilho, promovendo um diálogo direto com os estudantes, que participaram de forma expressiva.
Durante as declarações à comunicação social, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a importância de levar este tipo de reflexão aos jovens numa fase decisiva das suas vidas. “Estão no secundário e estão a fazer escolhas. É bom que pensem no mundo que terão pela frente e no caminho que querem seguir”, afirmou, destacando a necessidade de criar momentos de paragem e análise num contexto cada vez mais acelerado.
O ex-Presidente reconheceu ainda a qualidade da participação dos alunos, salientando a sua maturidade e capacidade crítica. “Falaram muito à vontade, com ideias, dúvidas e até frustrações. Achei-os de uma maturidade espantosa”, referiu, admitindo que este tipo de interação é fundamental para estimular o pensamento autónomo.
Questionado sobre esta nova fase após dez anos em funções como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa assumiu tratar-se de uma transição natural. “Quem muda para fazer coisas que já fazia há décadas, ainda que de forma diferente, adapta-se mais facilmente”, explicou, acrescentando que este ciclo agora iniciado será desenvolvido até ao final de maio, com novas sessões em escolas e também encontros em bibliotecas, focados na leitura e na discussão de livros.
Sem comentar a atualidade política nacional ou internacional, o antigo Chefe de Estado preferiu centrar-se nas transformações profundas que estão a marcar a sociedade, em particular na área da educação. Alertou para a velocidade das mudanças e para a necessidade de adaptação constante: “Hoje já não se programa a longo prazo como antes. É preciso ajustar semestre a semestre, porque a realidade muda a um ritmo alucinante”.
Entre os desafios apontados, destacou o impacto da inteligência artificial e da automação no mercado de trabalho, sublinhando que, embora nem todas as funções sejam substituíveis, a transformação é inevitável e exige preparação. “A mecanização e a automação são dos grandes temas para estes jovens que hoje têm 17 anos e vão ter de mudar várias vezes ao longo da vida”, afirmou.
Numa mensagem dirigida diretamente aos estudantes, Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda um apelo claro: a necessidade de autoconhecimento. “Têm de ter tempo para se conhecerem a si próprios. Muitos chegam à universidade ainda muito indecisos sobre o rumo de vida”, alertou.
Sobre o impacto destas ações, mostrou prudência, mas convicto da sua utilidade. “Se influenciar a escolha de algumas centenas de jovens, já vale a pena”, concluiu.
A escolha de Águeda para o arranque deste ciclo nacional reforça o papel do concelho como palco de iniciativas de proximidade entre figuras públicas e a comunidade educativa, num momento em que o debate sobre educação e futuro assume particular relevância.








































































































