Migrantes e trabalho digno em debate em Aveiro

A Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) promoveu, em Aveiro, um encontro interdiocesano que reuniu militantes das dioceses de Aveiro, Coimbra e Guarda para refletir sobre a realidade das migrações e o impacto no mundo laboral.

A iniciativa decorreu no Seminário de Santa Joana Princesa e teve como ponto de partida uma palestra de Filipa Saraiva, investigadora da Universidade de Coimbra, especializada na área das migrações. Durante a intervenção, foi destacado que Portugal atravessa um período de transformação profunda, marcado por uma crescente diversidade cultural e novos desafios sociais.

Entre os dados apresentados, sobressai o facto de cerca de 29% dos migrantes em Portugal viverem em risco de pobreza e exclusão social. A investigadora sublinhou que a falta de domínio da língua portuguesa e o desconhecimento dos direitos laborais tornam estas populações particularmente vulneráveis à exploração.

O encontro serviu também para desconstruir a ideia de que os migrantes retiram oportunidades de trabalho aos cidadãos nacionais. Pelo contrário, foi defendido que estes trabalhadores ocupam funções em setores onde a mão de obra portuguesa é escassa. Neste contexto, foi reforçada a necessidade de garantir condições dignas de trabalho para todos, como forma de proteger o equilíbrio social e laboral.

Inspirado nos valores cristãos e na parábola do Bom Samaritano, o movimento assumiu um conjunto de compromissos para o futuro, entre os quais a integração ativa de migrantes nas comunidades locais e nos grupos de reflexão, bem como o reforço de parcerias que facilitem o acesso ao ensino da língua portuguesa, à saúde e aos direitos laborais.

A LOC/MTC comprometeu-se ainda a denunciar situações de exploração, quer no trabalho, quer na habitação, assumindo o papel de estrutura de apoio e acolhimento. A organização sublinha que o trabalho deve ser encarado como um elemento fundamental da dignidade humana e da paz social.

O movimento recorda, por fim, que Portugal é historicamente um país de emigrantes, defendendo que acolher quem chega é também uma forma de respeitar e honrar essa realidade.

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