Projeto promovido pela Câmara Municipal de Águeda prevê 15 unidades de produção fotovoltaica e armazenamento, 9,31 MWp de potência instalada e baterias com capacidade de 9 MWh. Empresas poderão produzir, armazenar, partilhar e consumir energia renovável gerada no próprio parque
O Parque Empresarial do Casarão, em Águeda, vai receber uma das componentes mais relevantes da sua transformação numa Área de Acolhimento Empresarial de Nova Geração, com a criação de uma infraestrutura energética comum que conjuga produção fotovoltaica, armazenamento em baterias e autoconsumo coletivo.
O projeto é promovido pela Câmara Municipal de Águeda e a execução foi adjudicada ao consórcio liderado pela dstsolar, empresa do dstgroup especializada em soluções fotovoltaicas, por 6.638.006,05 euros. A intervenção está integrada no investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinado às Áreas de Acolhimento Empresarial de Nova Geração.
A dimensão do projeto é significativa. Estão previstas 15 unidades de produção e armazenamento de energia, que totalizarão 9,31 MWp de capacidade fotovoltaica instalada e 9 MWh de armazenamento.
Mas a principal novidade vai além da instalação de painéis solares. O modelo permitirá constituir no Casarão uma verdadeira comunidade de autoconsumo coletivo, envolvendo 15 entidades que poderão produzir, armazenar, partilhar e consumir eletricidade renovável gerada localmente.
Energia produzida no Casarão poderá ser partilhada
A infraestrutura permitirá aproveitar de forma conjunta a energia produzida nas diferentes instalações fotovoltaicas.
Durante os períodos de produção solar, a eletricidade poderá ser utilizada diretamente pelas empresas participantes. Os excedentes poderão ser armazenados nas baterias e utilizados posteriormente, permitindo aproximar a disponibilidade da energia das necessidades efetivas de consumo.
A componente de armazenamento será desenvolvida pela b-again, empresa do dstgroup especializada nesta área. As baterias terão uma capacidade conjunta de 9 MWh, aumentando a flexibilidade da gestão energética e a capacidade de aproveitamento da produção fotovoltaica.
O sistema de autoconsumo coletivo acrescenta outra dimensão: em vez de cada instalação funcionar de forma totalmente independente, a energia poderá ser gerida e partilhada no âmbito da comunidade constituída pelas entidades participantes.
O objetivo passa por aumentar a eficiência energética, reduzir a dependência da rede elétrica, diminuir os custos de energia suportados pelas empresas e reduzir a respetiva pegada carbónica.
Um projeto pensado também para aumentar a competitividade
A aposta da Câmara Municipal de Águeda não é apresentada apenas como uma medida ambiental. A energia é igualmente encarada como um fator de competitividade para as empresas instaladas no Parque Empresarial do Casarão e para a capacidade do concelho captar novos investimentos.
Sérgio Vieira, administrador executivo da dstsolar, considera que a intervenção assume uma importância estratégica devido à sua dimensão, inovação e impacto na transição energética do tecido empresarial.
Segundo o responsável, o projeto representa também uma aposta em soluções tecnologicamente avançadas, enquadradas simultaneamente nos objetivos de descarbonização e de aumento da competitividade empresarial.
A empresa considera que a conjugação entre produção fotovoltaica, armazenamento e autoconsumo coletivo poderá reforçar a competitividade e resiliência das empresas instaladas no Casarão.
Faz parte de um investimento superior a 20 milhões de euros
Os 6,6 milhões de euros destinados a esta componente energética fazem parte de uma operação consideravelmente maior.
A Câmara Municipal de Águeda conseguiu para a transformação do Parque Empresarial do Casarão numa Área de Acolhimento Empresarial de Nova Geração um financiamento PRR de 20.054.955,31 euros.
Quando a candidatura foi aprovada, em 2022, o Município anunciou tratar-se do maior valor de fundos comunitários alguma vez aprovado para infraestruturas municipais em Águeda. A candidatura obteve ainda 82 pontos em 100 e, segundo a informação então divulgada, alcançou a melhor pontuação nacional, sendo Águeda o único município a apresentar projetos para as cinco categorias colocadas a concurso.
O investimento não se limita, portanto, aos painéis solares.
O programa contempla produção e armazenamento de energia renovável para autoconsumo, soluções destinadas a assegurar qualidade e estabilidade do fornecimento energético, sistemas partilhados de carregamento de veículos elétricos ligeiros e pesados e melhoria das comunicações móveis, designadamente através de 5G.
Está ainda prevista uma componente de prevenção e resposta a incêndios.
Casarão está a sofrer transformação profunda
A concretização da comunidade energética representa, por isso, mais uma etapa de uma estratégia que pretende alterar profundamente as condições disponibilizadas pelo Parque Empresarial do Casarão.
Quando anunciou a aprovação dos mais de 20 milhões de euros, a Câmara apontou como objetivo colocar o parque num patamar diferenciador a nível regional e nacional, tornando-o mais competitivo para as empresas existentes e para potenciais novos investidores.
A estratégia energética assume especial importância num parque de características industriais, onde a disponibilidade de energia, a qualidade do fornecimento e os respetivos custos podem representar fatores determinantes na atividade das empresas.
A possibilidade de produzir uma parcela da eletricidade localmente, armazenar excedentes e partilhar energia dentro da própria comunidade empresarial procura responder precisamente a esse desafio.
Investimentos vão muito além da energia
Paralelamente à comunidade de autoconsumo, o Município tem em curso outras intervenções relacionadas com a transformação do Casarão.
Está prevista uma sede da Comunidade de Energia Renovável, concebida para incluir gabinetes, sala de trabalho, auditório, instalações sanitárias e uma sala destinada às baterias. O projeto contempla também uma componente de segurança contra incêndios, com sala de controlo, garagem e espaços de apoio à equipa de prevenção e primeira intervenção.
A transformação do parque articula-se ainda com as acessibilidades rodoviárias.
Na própria reunião do Executivo Municipal de Águeda desta quinta-feira, 3 de setembro, encontram-se três propostas diretamente relacionadas com a ligação do Parque Empresarial do Casarão ao IC2: uma prorrogação do prazo da empreitada, uma adenda ao contrato e um aditamento ao contrato de financiamento PRR.
A ligação ao IC2 pretende melhorar substancialmente a acessibilidade do parque e as condições de circulação associadas à atividade empresarial.
Produção, armazenamento e consumo no mesmo ecossistema
A comunidade energética representa, contudo, uma das componentes tecnologicamente mais diferenciadoras de toda a operação.
O princípio é relativamente simples: produzir energia onde ela é consumida e aproveitar o máximo possível dessa produção dentro do próprio parque empresarial.
A complexidade encontra-se na implementação. Um sistema envolvendo 15 participantes exige gestão técnica da produção, dos consumos, do armazenamento e da repartição da eletricidade entre os diferentes membros da comunidade.
Quando estiver operacional, o Casarão terá 9,31 MWp de capacidade fotovoltaica e 9 MWh de armazenamento, numa infraestrutura comum destinada a servir 15 entidades.
A escala permite perceber a importância que a componente energética assumiu no projeto global de modernização do parque.
Águeda procura criar vantagem na atração de empresas
A estratégia definida pelo Município coloca também o investimento energético ao serviço da política económica local.
Já aquando da aprovação da candidatura PRR, o presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida, apontava a melhoria das condições do Casarão como instrumento para aumentar a capacidade de atração de investimento e apoiar a competitividade das empresas.
Quatro anos depois, a instalação da comunidade de autoconsumo coletivo materializa uma das componentes centrais dessa candidatura.
A intervenção junta no mesmo projeto energia solar, baterias e partilha de eletricidade, procurando transformar o Parque Empresarial do Casarão não apenas numa zona empresarial com melhores infraestruturas, mas num ecossistema onde as próprias empresas passam a participar num modelo comum de produção e utilização de energia.
Com um contrato superior a 6,6 milhões de euros, 15 unidades, 9,31 MWp de produção fotovoltaica e 9 MWh de armazenamento, a nova infraestrutura constitui uma das maiores peças da transformação do Casarão e reforça a aposta do Município de Águeda na utilização dos fundos do PRR para modernizar aquele que é um dos principais polos de desenvolvimento económico do concelho.
