O concelho de Águeda apresentou, na segunda volta das eleições presidenciais, um dos quadros eleitorais mais claros e consistentes do país. Com 15 freguesias e uniões de freguesia apuradas, António José Seguro venceu em todo o território concelhio, alcançando 64,46% dos votos (14.731), contra 35,54% (8.123 votos) de André Ventura. A diferença superior a 6.600 votos traduz não apenas uma vitória aritmética, mas uma opção política clara, transversal e estruturalmente estável.

Uma vitória sem fissuras territoriais
A leitura por freguesia revela um dado central: não existe qualquer enclave eleitoral adverso para António José Seguro em Águeda. Mesmo nas freguesias onde André Ventura obteve os seus melhores resultados, o diferencial manteve-se sempre confortável para o candidato vencedor.
O intervalo de votação de Seguro situa-se entre os 57,28% (Préstimo e Macieira de Alcoba) e os 69,14% (União de Freguesias de Travassô e Óis da Ribeira), um leque relativamente estreito que demonstra uniformidade do comportamento eleitoral, algo pouco frequente em concelhos com diversidade socioeconómica e geográfica como Águeda.
Esta regularidade confirma que o apoio a Seguro não depende de um perfil específico de freguesia — urbana ou rural, litoral ou interior, mais envelhecida ou mais jovem — mas resulta de uma adesão ampla e consistente.

O peso decisivo da Freguesia de Águeda
A Freguesia de Águeda, núcleo urbano e eleitoralmente mais determinante do concelho, reforçou de forma clara o resultado final. Aqui, António José Seguro obteve 67,77% (3.572 votos), contra 32,23% (1.699 votos) de André Ventura. A diferença superior a 1.870 votos nesta freguesia, só por si, teria sido suficiente para marcar decisivamente o resultado concelhio.
Este dado é particularmente relevante porque desmonta a ideia de uma clivagem urbano–rural: Seguro vence de forma ainda mais expressiva no principal centro urbano, contrariando leituras simplistas sobre o perfil do eleitorado.

Onde Ventura cresce — e onde fica aquém
André Ventura apresentou uma performance eleitoral estável, mas limitada. Os seus melhores resultados percentuais surgem em Castanheira do Vouga (43,33%) e Préstimo e Macieira de Alcoba (42,72%), valores que confirmam a existência de uma base de apoio consolidada, mas insuficiente para disputar a liderança.
Importa sublinhar que Ventura não ultrapassa os 44% em nenhuma freguesia, ficando sempre a mais de dez pontos percentuais do adversário. Mesmo em territórios onde o seu discurso tradicionalmente encontra maior ressonância, o eleitorado de Águeda manteve uma preferência clara pelo candidato vencedor.

Brancos e nulos: sinal de maturidade eleitoral
Os votos em branco situaram-se no concelho nos 3,70% (890 votos), com variações pontuais. Belazaima do Chão destacou-se com 7,69%, o valor mais elevado, o que pode ser interpretado como um sinal local de distanciamento face às opções em confronto, e não como rejeição generalizada do processo eleitoral.
Os votos nulos foram residuais (1,31% no total do concelho), com freguesias como Agadão a registarem 0%, indicador de um eleitorado informado, atento e pouco propenso a erros no exercício do voto.

Comparação interna: diferenças reveladoras
A análise comparativa entre freguesias permite identificar padrões relevantes:
- Maiorias mais expressivas surgem em uniões de freguesia com forte identidade comunitária, como Travassô e Óis da Ribeira (69,14%) e na Freguesia de Águeda (67,77%).
- Resultados mais equilibrados, ainda assim favoráveis a Seguro, aparecem em territórios de menor densidade populacional, onde Ventura se aproxima mais, mas nunca ameaça a liderança.
- A amplitude máxima entre os dois candidatos em Águeda ultrapassa os 38 pontos percentuais, um valor politicamente significativo.

Leitura política global
O resultado em Águeda não é apenas uma vitória eleitoral: é uma validação política robusta. António José Seguro recolhe uma maioria ampla, homogénea e territorialmente coerente, sem zonas de contestação relevante, o que confere ao resultado legitimidade acrescida.
Por outro lado, André Ventura confirma a presença de um eleitorado fiel, distribuído e consistente, mas enfrenta um limite claro de crescimento no concelho, incapaz de converter essa base em competitividade territorial.
Com todas as freguesias apuradas, Águeda posiciona-se como um concelho onde a decisão dos eleitores foi inequívoca, madura e estruturalmente estável, oferecendo um retrato nítido das opções políticas expressas nesta segunda volta das eleições presidenciais.
