O RD Águeda saiu derrotado por 1-0 na deslocação ao terreno do Oliveira do Bairro, em jogo da 16.ª jornada do Campeonato Sabseg da Associação de Futebol de Aveiro, decidido já nos descontos, aos 93 minutos. A partida ficou marcada pelo domínio da equipa aguedense durante largos períodos, por vários lances de grande polémica disciplinar e por críticas às condições de receção no recinto.

Desde o apito inicial, o RD Águeda assumiu o controlo do encontro, com posse de bola e jogo apoiado, procurando com insistência a baliza adversária. Nunes esteve perto de inaugurar o marcador dentro da área, obrigando o guarda-redes do Oliveira do Bairro a uma boa defesa, enquanto Julião surgiu isolado, mas decidiu mal. A equipa da casa respondeu sobretudo com jogo direto e bolas longas, bem controladas pela defensiva aguedense.
A primeira parte ficou fortemente marcada pela arbitragem. Rafa sofreu uma entrada a pés juntos, passível de cartão vermelho direto, mas o árbitro exibiu apenas o amarelo. Pouco depois, Aparício foi também alvo de uma entrada de gravidade semelhante, com idêntica decisão disciplinar. Já perto do intervalo, Aparício voltou a estar em evidência dentro da área, num lance em que foi constantemente agarrado, sem qualquer intervenção do árbitro. O resultado manteve-se em 0-0 ao intervalo.
No segundo tempo, o domínio do RD Águeda tornou-se ainda mais evidente. Logo nos minutos iniciais, Phil, em posição privilegiada e sem oposição, atirou por cima da baliza. Julião tentou a sua sorte de fora da área, com a bola a passar muito perto do poste. Aparício voltou a ser travado em falta à entrada da área, num lance em que não conseguiu rematar em condições devido ao contacto, novamente sem qualquer sanção disciplinar.
Ao longo da segunda parte, multiplicaram-se os lances de contestação por parte da equipa aguedense, com sucessivos agarrões ao central da RD Águeda por parte do avançado do Oliveira do Bairro, muitas vezes com faltas assinaladas em sentido contrário. Num desses lances, o jogador da casa atingiu o adversário numa disputa de bola, sem que fosse mostrado o cartão amarelo, que seria o segundo.
Carlitos ainda se isolou pela lateral em direção à baliza, sendo puxado de forma clara, num lance que justificaria novo cartão para o adversário, mas o árbitro voltou a deixar seguir. Antes do final do tempo regulamentar, Phil e Bastos desperdiçaram novas oportunidades para dar vantagem à RD Águeda.
Quando tudo apontava para um empate, já aos 93 minutos, uma bola bombeada para a área permitiu ao Oliveira do Bairro chegar ao golo da vitória, num desfecho considerado internamente como “muito injusto” pela formação aguedense, tendo em conta o volume de jogo e as oportunidades criadas.
Apesar da derrota, a RD Águeda saiu do encontro de cabeça erguida, depois de uma exibição considerada de grande qualidade, num jogo em que, segundo elementos do clube, “lutou contra tudo e contra todos”.
Fora das quatro linhas, a comitiva aguedense deixou também duras críticas às condições de receção. À chegada, não existia eletricidade para ligar a máquina de café, não foi disponibilizada marquesa para tratamento de jogadores, a troca da ficha de jogo só foi efetuada praticamente em cima do início da partida, obrigando a constantes pedidos, e os jogadores tomaram banho em água fria. Foi ainda apontada a ausência de rega do relvado sintético, justificada, segundo o clube visitado, com alegadas responsabilidades da câmara municipal.
Em reação a estas críticas, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Duarte Novo, esclareceu à redação da TVC que a autarquia “nada tem a ver com o facto da água estar fria”. O autarca acrescentou ainda que “muito menos com a eventual falta de água, dado que as instalações onde decorreu a partida são do clube e não da autarquia”, sublinhando que a Câmara Municipal “é apenas responsável pelas instalações do Estádio Municipal”.
Com este resultado, o RD Águeda mantém-se no 10.º lugar da classificação, com 21 pontos. Na próxima jornada, a equipa aguedense regressa a casa, onde recebe o Esmoriz, num jogo em que procurará transformar a boa exibição em pontos, perante os seus adeptos.

Antevisão
O RD Águeda volta a jogar em casa no próximo domingo, frente ao Esmoriz, num encontro que surge como uma oportunidade clara de resposta após a derrota injusta da última jornada. Depois de uma exibição consistente, autoritária e penalizada por decisões polémicas, a equipa aguedense procura agora transformar a qualidade exibicional em pontos concretos, perante os seus adeptos.
O jogo assume particular importância no plano classificativo, com o RD Águeda a querer encurtar distâncias para os lugares da frente e consolidar-se na primeira metade da tabela. Frente a um adversário direto, espera-se um Águeda intenso, pressionante e fiel à identidade demonstrada nas últimas jornadas, num contexto em que vencer em casa é determinante para afirmar ambições nesta fase da competição.

