Uma vitória inesperada, uma goleada pouco provável e dois históricos que continuam sem encontrar o caminho dos triunfos. A quarta jornada do Campeonato SABSEG teve de tudo um pouco e deixou ainda mais evidente o equilíbrio de uma prova onde, para já, Águeda e Espinho continuam a desiludir os seus adeptos.
E foi precisamente o SC Espinho um dos protagonistas da grande surpresa da jornada. Os “Tigres” deslocaram-se ao terreno do Valonguense e acabaram derrotados por 1-0 diante de uma equipa que, há poucas semanas, se preparava para disputar a 1.ª Divisão Distrital e que só chegou ao SABSEG na sequência da desistência do Pampilhosa.
Mas não se pense que foi obra do acaso. O Valonguense venceu com inteira justiça. Abel marcou aos 18 minutos o único golo da partida e os “canarinhos” souberam depois segurar uma vantagem que lhes permitiu alcançar um resultado de enorme significado. Para o Espinho, pelo contrário, prolonga-se um início de campeonato muito abaixo das expectativas.
Se em Valongo houve surpresa, no Constantino Marques Duarte houve goleada. E das grandes. O Fermentelos não deu qualquer hipótese ao Cesarense e venceu por expressivos 5-0.
Os “Leões da Pateira” entraram de forma absolutamente demolidora, com Joni Manafá a bisar nos primeiros 15 minutos. Ainda antes do intervalo, Tojo e Rúben Silvestre elevaram a vantagem para números que praticamente sentenciavam a partida. No segundo tempo, João Pinho colocou o ponto final na contagem.
Cinco golos sem resposta representam um castigo pesado para o Cesarense, mas o resultado traduz também aquilo que aconteceu dentro das quatro linhas. O Fermentelos realizou uma exibição segura, eficaz e autoritária, anulando por completo o adversário.
Em Águeda registou-se aquilo a que podemos chamar uma meia surpresa. O Recreio Desportivo de Águeda recebeu o S. Vicente Pereira e não foi além de um empate a uma bola.
A equipa visitante entrou claramente melhor e Ruela precisou de apenas sete minutos para colocar o S. Vicente Pereira em vantagem. Nessa altura, o setor defensivo dos “Galos” parecia ainda estar a dormir a sesta depois do almoço.
O Águeda demorou demasiado tempo a acordar. Só na segunda parte apareceu verdadeiramente no jogo, chegando ao empate através do central Romeu. A partir daí, tentou tudo para consumar a reviravolta, mas entre desacerto na finalização e algum azar, o segundo golo nunca apareceu.
Mais um empate e mais dois pontos perdidos para uma equipa da qual se esperava muito mais neste início de campeonato. Tal como o Espinho, o Águeda continua sem vencer e, mais preocupante do que os resultados, as exibições também estão longe de entusiasmar.
Em Anadia, a equipa da casa venceu o Mourisquense com naturalidade. Os “Pilatos” ainda deram luta, mas num campo com dimensões mais generosas tornou-se muito mais difícil fechar os espaços e manter a baliza inviolada. O Anadia aproveitou melhor as condições e confirmou o favoritismo dentro das quatro linhas.
Já no encontro diante do S. Roque, disputado num relvado que dificilmente pode ser considerado adequado à prática de futebol neste nível competitivo, assistiu-se a uma partida equilibrada. A equipa da casa chegou à vantagem durante a primeira parte, mas o S. Roque respondeu no arranque do segundo tempo e restabeleceu a igualdade. A decisão surgiu depois num cruzamento efetuado pelo lado esquerdo do ataque, com o central Pedro Santos a aparecer de cabeça para fazer o 2-1 e garantir os três pontos.
Lobão e Fiães ficaram-se por um empate sem golos. Um resultado que acaba por penalizar sobretudo a equipa da casa, que criou oportunidades mais do que suficientes para vencer, mas pagou caro a falta de eficácia no momento de finalizar.
Em Ílhavo, o Vista Alegre recebeu e venceu o Paços de Brandão por 1-0, numa partida que terminou envolta em polémica.
A formação visitante saiu com muitas razões de queixa da arbitragem, sobretudo depois de lhe terem sido anulados três golos por alegado fora de jogo. A contestação ficou bem evidente no final do encontro, com o treinador do Paços de Brandão a manifestar publicamente o seu desagrado.
O futebol, porém, vive de golos validados e foi o Vista Alegre quem conseguiu marcar. Perto dos 80 minutos, e num dos poucos remates que realizou à baliza adversária ao longo de toda a partida, encontrou o golo que valeu os três pontos.
E deixei para o fim aquela que talvez seja, até agora, a história mais interessante deste início de campeonato: o Argoncilhe é líder do SABSEG.
Poucos o colocariam nessa posição antes do arranque da prova. Recém-promovido, soma três vitórias em quatro jornadas e lidera com nove pontos, mais um do que Anadia e Lobão. Apresenta ainda, nesta fase, a melhor defesa da competição, com apenas dois golos sofridos.
Na deslocação ao sempre complicado terreno do Carregosense, o Argoncilhe voltou a mostrar que a classificação não resulta apenas de um acaso das primeiras jornadas. Venceu por 3-1 e chegou mesmo à curiosa situação de ter marcado os quatro golos da partida.
Quando vencia por 2-0, Gonçalo marcou na própria baliza, aos 65 minutos, devolvendo alguma esperança ao Carregosense. A reação da equipa da casa durou pouco. Dez minutos depois, Tomás Cabral fez o terceiro do Argoncilhe e matou definitivamente o jogo.
Quatro jornadas ainda são muito pouco para retirar conclusões definitivas, mas já chegam para deixar alguns sinais.
O campeonato apresenta-se equilibrado, o recém-promovido Argoncilhe lidera e algumas equipas vão mostrando argumentos interessantes. No sentido contrário aparecem dois nomes que dificilmente alguém esperaria encontrar nesta situação: Águeda e Espinho ainda não venceram.
São, até ao momento, duas das principais desilusões deste início de SABSEG. Não apenas porque os resultados estão longe do esperado, mas porque as exibições também não têm deixado grandes razões para acreditar que a mudança esteja já ao virar da esquina.
E os relvados?
Para terminar, um aparte que deve ser entendido sobretudo como uma chamada de atenção para quem organiza a competição.
Ainda nem sequer chegámos ao inverno e já existem relvados em condições muito preocupantes. Estarreja, S. Roque e Fiães apresentam pisos que, mais do que prejudicarem a qualidade do espetáculo, podem representar um verdadeiro perigo para a integridade física dos jogadores.
Estamos no início de outubro. Se alguns campos já apresentam este estado agora, é legítimo perguntar em que condições estarão quando chegarem a chuva, o frio e os meses mais exigentes do inverno.
Um campeonato que pretende valorizar-se não pode preocupar-se apenas com resultados, classificações e organização administrativa. A qualidade e, sobretudo, a segurança dos terrenos de jogo também fazem parte da competição.
