A segurança rodoviária na zona da Praça 1.º de Maio, em Águeda, esteve em destaque na última reunião do executivo municipal, na sequência de um acidente recente que voltou a expor os riscos para peões numa das áreas mais movimentadas da cidade, sobretudo ao final do dia e durante os fins de semana.
A preocupação foi levantada por José Mota, que alertou para o elevado número de atravessamentos pedonais na zona dos bares, num troço da EN333 onde existem 71 lugares de estacionamento na margem direita, no sentido Recardães–Águeda. O autarca sublinhou que, em particular às sextas-feiras e sábados ao final da tarde, a intensidade de circulação pedonal aumenta significativamente, defendendo a necessidade de medidas que permitam travessias mais seguras.
Entre as soluções apontadas, destacou a eventual instalação de passadeiras reguladas por semáforos em ambas as extremidades do troço, de forma a garantir condições de atravessamento controlado e reduzir o risco de novos acidentes.
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, reconheceu a responsabilidade do Município na mitigação do risco nas vias sob a sua jurisdição, mas deixou reservas quanto à eficácia da solução proposta. O autarca referiu que cerca de 90% dos atropelamentos ocorrem em passadeiras, sublinhando que Águeda não é exceção a essa realidade. Como exemplo, apontou um acidente ocorrido no mesmo dia, em Vila Nova de Gaia, que resultou na morte de uma jovem de 19 anos numa passadeira.
Jorge Almeida defendeu que a instalação de passadeiras deve ser cuidadosamente avaliada, tendo em conta as características da via, nomeadamente o perfil da EN333. Recordou que a criação de bolsas de estacionamento ao longo daquele troço foi uma opção deliberada para evitar o estacionamento indevido sobre passeios, o que condiciona agora a implementação de outras soluções urbanísticas.

O presidente alertou ainda para o risco de “falsa sensação de segurança” associada às passadeiras, considerando que, mesmo com a sua instalação, muitos peões continuariam a atravessar fora dos locais definidos. Referiu também outro ponto frequentemente solicitado para a criação de passadeiras — junto ao antigo LIDL — rejeitando essa hipótese devido às características perigosas da via, nomeadamente a inclinação e a existência de uma curva, afirmando que tal solução poderia agravar o risco de acidentes.
Como medida alternativa, Jorge Almeida anunciou a intenção de instalar lombas elevadas (do tipo trapezoidal) no troço entre a rotunda e a zona dos bares, com o objetivo de reduzir a velocidade dos veículos e aumentar a segurança rodoviária.
José Mota sugeriu ainda a possibilidade de construção de uma passagem pedonal subterrânea, solução prontamente descartada pelo presidente da autarquia, que explicou que tal intervenção comprometeria o sistema de drenagem da zona. Segundo Jorge Almeida, a EN333 funciona como um dique de proteção naquela área, sendo estruturalmente incompatível com esse tipo de infraestrutura.
O debate evidenciou a complexidade da gestão da segurança rodoviária em zonas urbanas com forte pressão simultânea de tráfego automóvel e pedonal, deixando em aberto a necessidade de soluções técnicas equilibradas que minimizem riscos sem comprometer a funcionalidade da via.






