Águeda é o segundo concelho de Portugal continental com maior área ardida em 2026. Entre 1 de janeiro e 15 de agosto, os incêndios rurais consumiram 6.005 hectares no concelho, um valor apenas superado por Valpaços, segundo os dados provisórios mais recentes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Os números constam do Relatório Provisório de Incêndios Rurais, divulgado pelo ICNF a 17 de agosto, e revelam a dimensão particularmente significativa dos incêndios que atingiram o concelho de Águeda este ano.
Até 15 de agosto, Águeda registou 21 incêndios rurais, que resultaram numa área ardida total de 6.005 hectares. A esmagadora maioria corresponde a floresta: 5.797 hectares de povoamentos florestais, aos quais se juntam 65 hectares de matos e 143 hectares de terrenos agrícolas.
No ranking nacional da área ardida por concelho, Valpaços ocupa a primeira posição, com 6.838 hectares, seguindo-se Águeda, com 6.005 hectares, Vouzela, com 4.538 hectares, e Mirandela, com 4.262 hectares.
Águeda encontra-se, assim, a apenas 833 hectares de Valpaços, o concelho mais atingido do país até à data considerada pelo relatório, e apresenta mais 1.467 hectares ardidos do que Vouzela, que surge na terceira posição.
Águeda concentra quase 89% da área ardida no distrito de Aveiro
A expressão dos incêndios no concelho torna-se ainda mais evidente quando os dados são comparados com a totalidade do distrito de Aveiro.
Segundo o ICNF, foram contabilizados no distrito 409 incêndios rurais e 6.774 hectares de área ardida entre 1 de janeiro e 15 de agosto.
Desses 6.774 hectares, 6.005 localizam-se no concelho de Águeda, o que significa que o território aguedense concentra aproximadamente 88,7% de toda a área ardida registada no distrito de Aveiro neste período.
Há ainda outro dado relevante: apesar de concentrar quase nove décimos da superfície queimada no distrito, Águeda representa apenas 21 das 409 ocorrências contabilizadas.
Os números refletem, por isso, a dimensão alcançada por alguns dos grandes incêndios que atingiram o território aguedense durante este verão.
Mais de 10% de toda a área ardida no país está em Águeda
O peso de Águeda é igualmente significativo quando a comparação é feita à escala nacional.
Entre 1 de janeiro e 15 de agosto, Portugal continental registou 6.388 incêndios rurais, responsáveis por 56.586 hectares de área ardida.
Os 6.005 hectares queimados em Águeda representam cerca de 10,6% de toda a área ardida em Portugal continental durante o período analisado. Ou seja, aproximadamente um em cada dez hectares queimados no país até 15 de agosto localizava-se no concelho de Águeda.
Dos 56.586 hectares ardidos a nível nacional, 25.732 hectares correspondem a povoamentos florestais, 24.995 a matos e 5.859 a áreas agrícolas.
O relatório do ICNF assinala também uma forte concentração territorial dos grandes incêndios: os 20 concelhos com maior área ardida representam 76% de toda a superfície queimada em Portugal continental, apesar de concentrarem apenas 13% do número de ocorrências.
Dados ainda são provisórios
A nível nacional, julho foi o mês mais severo até ao período abrangido pelo relatório, com 1.618 incêndios e 36.956 hectares de área ardida, correspondendo a cerca de 65% da superfície queimada desde o início do ano.
Apesar destes números, o balanço nacional permanece abaixo da média da última década para o mesmo período. Comparativamente com a média dos anos de 2016 a 2025, o ICNF contabiliza menos 9% de incêndios e menos 28% de área ardida.
Os valores relativos a Águeda e ao restante território nacional são provisórios e reportam-se exclusivamente ao período entre 1 de janeiro e 15 de agosto de 2026, podendo ser posteriormente atualizados pelo ICNF à medida que forem concluídos os trabalhos de validação e cartografia das áreas atingidas.
Ainda assim, o balanço disponível coloca já Águeda numa posição particularmente marcante em 2026: segundo concelho do país com maior área ardida, responsável por quase 89% da superfície queimada no distrito de Aveiro e por mais de 10% de toda a área ardida em Portugal continental até 15 de agosto.
